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 Comissário europeu é acusado de antissemitismo
03 de setembro de 2010 15h33 atualizado às 15h43

O comissário europeu Karel De Gucht, ex-chefe da diplomacia belga, está nesta sexta-feira no centro de uma polêmica, acusado de antissemitismo, depois de ter denunciado a atitude fundamentalmente irracional dos judeus no Oriente Médio. O comissário belga, responsável pelo comércio em Bruxelas, criticou ao mesmo tempo o lobby pró-israelense nos Estados Unidos e a atitude dos judeus em geral.

"Não se pode subestimar o peso do lobby judeu sobre a colina do Capitólio, sobre o Parlamento americano. É o grupo de pressão mais bem organizado que existe lá", declarou na quinta-feira à rádio pública belga de língua holandesa VRT. "Não podemos mais subestimar a opinião, além do lobby, do judeu médio que não vive em Israel", acrescentou De Gucht, conhecido por sua franqueza.

"Há um convencimento entre a maior parte dos judeus --eu dificilmente poderia descrever isso de outra forma - de que eles têm razão. E a fé é algo que dificilmente podemos combater com argumentos racionais", considerou esse membro do Partido Liberal flamenco. "Até mesmo os judeus laicos partilham a mesma crença de terem efetivamente razão. Então não é fácil discutir sobre o que acontece no Oriente Médio, mesmo com um judeu moderado. É uma questão muito emocional", concluiu.

O Congresso judeu europeu (CJE) se disse nesta sexta-feira "indignado" com essas declarações e exigiu que Karel De Gucht peça desculpas. "Trata-se mais uma vez de uma forma ultrajante de antissemitismo por parte de um alto responsável europeu. A difamação do poder judeu é aparentemente aceitável no mais alto nível da UE", disse seu presidente, Moshe Kantor.

O CJE referiu-se a esta polêmica e a outra no Banco Central alemão. A diretoria do Bundesbank pediu na quinta-feira a destituição de um de seus membros, Thilo Sarrazin, culpado por ter mencionado a pretensa existência de um gene particular a todos os judeus. A Comissão fez questão de se distanciar de De Gucht.

"Foram comentários pessoais que não representam a opinião bastante conhecida da Comissão e do Conselho (de ministros da UE) sobre o processo de paz no Oriente Médio e a retomada das negociações diretas entre Israel e os palestinos", declarou o porta-voz Olivier Bailly. Mas a chefe da diplomacia da UE, Catherine Ashton, saiu em defesa de seu colega, declarando-se "convencida" de que De Gucht "não teve intenção alguma de ofender alguém".

O próprio De Gucht não pediu desculpas, mas disse nesta sexta-feira que "lamenta" a interpretação que suas declarações receberam, afirmando que nunca quis "estigmatizar" a comunidade judaica e denunciando toda forma de antissemitismo. A controvérsia ocorreu no momento da retomada em Washington das negociações de paz entre israelenses e palestinos.

Ministro belga das Relações Exteriores de 2004 a 2009, Karel De Gucht, 56 anos, já esteve envolvido em outra polêmica. Ele causou em junho de 2005 um incidente diplomático com a Holanda, quando descreveu o primeiro-ministro holandês Jan Peter Balkenende como "uma mistura de Harry Potter com um burguês rígido sem carisma".

Ele foi também a causa do rompimento das relações diplomáticas entre seu país e a República Democrática do Congo, em 2008, ao denunciar com dureza a corrupção das elites congolesas.

AFP
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