A Comissão Europeia (órgão executivo da União Europeia, UE) considerou nesta sexta "pessoais" declarações de seu titular de Comércio, o belga Karel De Gucht, sobre as perspectivas do processo de paz no Oriente Médio, e que foram muito criticadas por organizações judias.
De Gucht, em uma entrevista à rádio pública flamenga, manifestou nesta quinta-feira suas dúvidas sobre as possibilidades de sucesso das conversas de paz, na sua opinião devido às divisões entre os palestinos e a que a política israelense tem se "endurecido e se deslocado rumo à direita".
O comissário acrescentou que os EUA é "o único capaz" de desempenhar um papel significativo e de "poder fazer pressão sobre Israel", porque "não se deve subestimar o lobby judeu no Capitólio".
Estas declarações foram consideradas "anti-semitas" pelo presidente do Congresso Judaico da Europa, Moshe Kantor, que disse que fazem parte de uma "tendência perigosa de incitação contra os judeus e Israel na Europa".
Um porta-voz da Comissão assinalou que as palavras de De Gucht - também ex-ministro belga de Exteriores - são "pessoais" e não representam a posição da União Europeia sobre o processo de paz no Oriente Médio e o reatamento dos contatos diretos entre Israel e os palestinos.
Os membros da CE são políticos e em algumas ocasiões fazem comentários políticos pessoais, acrescentou.
Outras fontes da Comissão consideraram que as frases de De Gucht foram tiradas de contexto, já que faziam parte de uma longa entrevista de 20 minutos nas quais não se falou em profundeza do processo de paz no Oriente Médio.

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