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 Refugiados palestinos não creem em paz e chance de retorno
02 de setembro de 2010 14h24 atualizado às 15h14

As novas negociações diretas de paz iniciadas nesta quinta-feira entre israelenses e palestinos não deverão trazer algo de concreto na visão de refugiados palestinos no Líbano ouvidos pela BBC Brasil. Para eles, moradores do campo de refugiados de Borj Al-Barajneh, ao sul de Beirute, a mais nova tentativa dos Estados Unidos de mediar um acordo de paz e a criação de um Estado palestino é apenas mais um "jogo político", sem resultados práticos.

De acordo com Kassem Aina, diretor do Instituto Nacional de Programas Sociais e treinamento Vocacional, que realiza programas sociais com refugiados palestinos no Líbano, disse que o sentimento geral entre os refugiados é de pessimismo. "É claro que fica uma esperança a cada nova negociação entre os líderes, mas refugiados palestinos já viram essas cenas antes diversas vezes. Estão cansados de conversas sem resultados", explicou ele.

Fatima Farah, nascida em Borj Al-Barajneh, disse à BBC Brasil que não espera nada de qualquer negociação. "Ninguém se importa com a gente. Nem israelenses, nem americanos, nem outros árabes e até mesmo os palestinos que estão na Cisjordânia", desabafou ela.

Ela contou que já teve irmãos e parentes mortos durante a guerra civil libanesa (1975-1990) e já viu todo o tipo de sofrimento quando ainda era jovem. "E a cada nova negociação, os líderes nos dizem que desta vez teremos nossos direitos reconhecidos, que poderemos receber compensação ou que retornaremos às nossas terras", completou Farah. "Mas no fim continuamos na mesma situação, vários palestinos nasceram e morreram dentro dos campos, foram refugiados a vida inteira."

Há cerca de 4,5 milhões de refugiados palestinos no mundo, de acordo com a Agência de Refugiados das Nações Unidas (ONU). No Líbano, são 400 mil pessoas divididas em 12 campos espalhados pelo país.

Sem liderança
Ayman Al-Daher, 29 anos, é outro pessimista, mas acredita que há a necessidade das partes conversarem para "manter o pouco que os palestinos têm". "Provavelmente nada disso levará a nada, somente mais um jogo político. Mas sem manobras políticas, os palestinos perderiam ainda mais", falou ele.

Al-Daher acha que os palestinos não irão a lugar algum com a atual liderança palestina. "O presidente Abu Mazen (Mahmoud Abbas) é muito fraco e cercado de corruptos. O Hamas é radical demais e sem um projeto inteligente para negociar sem abrir mão das necessidades dos palestinos." "Deveriam trazer novos mediadores, novas pessoas com ideias mais flexíveis e avançadas", opinou ele.

Desapontados
Há um sentimento geral entre analistas de que o presidente palestino dificilmente conseguirá com que Israel concorde em qualquer um dos pontos. Para Al-Daher, os sucessivos governos israelenses nunca foram parceiros para conversas de paz, e o atual é ainda "mais radical". "De um lado temos nossos líderes fracos e do outro radicais que sempre negaram os nossos direitos. Somos tratados como animais ou como fantasmas."

Fatima concordou e disse que seria melhor eles fazerem acordos secretos para não deixar os palestinos desapontados a cada novos fracassos. "Tudo isso acontece sem que algum líder viesse para cá e nos perguntasse o que achamos de tudo isso. Temos pessoas que estão longe de nós e negociam em nosso nome sem saber o que passamos."

Para Aina, é natural que os palestinos refugiados se sintam menosprezados e sem esperança. "Mas a cada novas conversas, nós temos um pouco ainda de esperança. Estamos cansados de tudo isso, mas sem esperança as coisas seriam piores."

BBC Brasil
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  1. Obama percorre o corredor de entrada da Casa Branca com os quatro líderes que participaram das negociações

    Reuters
    Foto: Reuters

  2. Barack Obama conversa com o presidente egípcio, Hosni Mubarak, no Salão Oval da Casa Branca

    Getty Images
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  3. Obama segura pasta com seu discurso antes de falar para os convidados

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    Foto: Getty Images

  4. O presidente Barack Obama faz pronunciamento na Casa Branca, enquanto é assistido por outros líderes

    Reuters
    Foto: Reuters

  5. Mahmoud Abbas, Benjamin Netanyahu, Abdullah II e Hosni Mubarak (da esq. para a dir.) assistem ao discurso de Obama

    Reuters
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  6. Hillary Clinton sorri ao lado de Tony Blair, representante do G4

    Foto: AP

  7. Obama (centro), Abbas (dir.) e Netanyhu chegam à salão da Casa Branca onde realizaram pronunciamentos na abertuda da "Cúpula da Paz"

    Reuters
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  8. Obama (dir.) intermedia aperto de mão entre Abbas e Netanyahu

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  9. Abbas (esq.) e Netanyahu conversam conversam na abertura da cúpula que marca a retomada das negociações de paz entre israelenses e palestinos

    Reuters
    Foto: Reuters

  10. O presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, pediu em seu pronunciamento o fim dos assentamentos israelenses e da violência na Cisjordânia

    Reuters
    Foto: Reuters

  11. Obama acompanha discurso do premiê israelense Benjamim Netanyahu

    Reuters
    Foto: Reuters

  12. Em momento histórico, Abbas e Netanyahu (dir.) se cumprimentam antes de entrevista conjunta na Casa Branca

    Reuters
    Foto: Reuters

  13. O palestino Mahmoud Abbas (esq.) acena para jornalistas após encontro com Barack Obama na Casa Branca

    Reuters
    Foto: Reuters

  14. Manifestantes usam máscaras na "Charada da Paz", em frente à Casa Branca, durante o encontro bilateral

    AFP
    Foto: AFP

  15. Os chefes de Estado se despedem após o encontro e o pronunciamento

    AFP
    Foto: AFP

  16. Obama e Netanyahu se reuniram durante 90 minutos na Casa Branca

    Reuters
    Foto: Reuters

  17. Barack Obama e Benjamin Netanyahu concedem entrevista coletiva sobre os diálogos de paz

    Foto: AP

  18. A secretária de Estado Hillary Clinton cumprimenta o premiê israelense Benjamin Netanyahu

    EFE
    Foto: EFE

  19. Obama conversa com o premiê israelense, Benjamin Netanyahu, no Salão Oval da Casa Branca, em Washington

    Reuters
    Foto: Reuters

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