Israel pressionou na quarta-feira o diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA, um órgão da ONU) a apontar o Irã como a verdadeira ameaça à não proliferação de armas nucleares no Oriente Médio, embora o próprio Estado judeu esteja na mira da organização por causa do seu suposto arsenal atômico.
Yukiya Amano chegou na segunda-feira a Israel com a missão de discutir uma resolução, promovida por países árabes, que colocaria sob inspeção internacional o reator nuclear secreto israelense de Dimona, segundo autoridades.
A resolução deverá ser debatida novamente no mês que vem na assembleia da AIEA em Viena.
Os israelenses levaram o diplomata japonês a um passeio de helicóptero, destinado a demonstrar a vulnerabilidade geográfica de Israel.
Os anfitriões israelenses fizeram poucas menções públicas à capacidade nuclear do país, citando em vez disso o arquirrival Irã, cujo programa de enriquecimento de urânio faz o Ocidente suspeitar do desenvolvimento de armas atômicas, algo que Teerã nega.
Em nota divulgada pela Comissão de Energia Atômica de Israel, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e outras autoridades alertam Amano sobre "o perigo inerente ao programa nuclear iraniano e a necessidade de a comunidade internacional ser alistada para contê-lo".
Referindo-se às críticas da AIEA contra as políticas de Israel, a comissão disse que Amano ouviu um pedido para "não permitir tentativas tendenciosas de desviar a atenção da comunidade internacional dos reais desafios à (não) proliferação nuclear do Oriente Médio".
Países árabes e alguns outros membros da AIEA querem que Israel assine o Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP), de 1970, o que pressuporia abrir mão do seu suposto arsenal nuclear para ter direito a assistência na produção de energia nuclear civil.
Mantendo-se fora do TNP, Israel preserva o sigilo sobre o seu programa nuclear. Acredita-se que o país tenha o único arsenal atômico do Oriente Médio, o que preocupa seus vizinhos.
Uma resolução da AIEA em setembro de 2009 pediu a Amano que consulte os "Estados envolvidos" a respeito de como fazer Israel aderir ao TNP, e que apresente um relatório na próxima assembleia.
Um diplomata em Viena, onde fica a sede do TNP, previu que o relatório de Amano será "absolutamente neutro".
Israel condiciona sua adesão ao TNP a uma paz abrangente no Oriente Médio ¿ algo improvável enquanto governos como o do Irã se recusarem a reconhecer a existência de Israel.

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