Notícias » Mundo » Mundo

 Hong Kong alerta contra viagens para Filipinas após tragédia
24 de agosto de 2010 05h49 atualizado às 06h15

Trabalhadores da bolsa de valores de Hong Kong fazem um minuto de silêncio em homenagem as vítimas do sequestro . Foto: AFP

Trabalhadores da bolsa de valores de Hong Kong fazem um minuto de silêncio em homenagem as vítimas do sequestro
Foto: AFP

O governo de Hong Kong, na China, fez um alerta nesta terça-feira para seus cidadãos não viajarem para as Filipinas, onde oito turistas chineses foram mortos após o sequestro de um ônibus. O governo de Hong Kong se disse chocado com o episódio. A polícia filipina está sendo criticada por não ter conseguido impedir o sequestrador de matar oito reféns.

O governo da China está exigindo uma investigação sobre a tragédia. O presidente filipino, Benigno Aquino, prometeu que o país encontrará respostas para as dúvidas pendentes.

O comandante que liderou a operação em Manila, Leocadio Santiago, defendeu a forma como a polícia agiu no episódio. Ele disse a jornalistas locais que a polícia acertou em deixar o cerco ao ônibus continuar até que o motorista conseguisse fugir. Foi só depois disso que o sequestrador começou a disparar contra os reféns.

Em seguida, a polícia invadiu o ônibus e matou o sequestrador, Rolando Mendoza, um ex-policial demitido por corrupção que exigia seu emprego de volta na corporação.

Hong Kong
Os oito turistas mortos pelo atirador eram de Hong Kong. O governo declarou um alerta "negro" para viagens às Filipinas, pedindo que seus cidadãos evitem o país. O governo recomenda que pessoas de Hong Kong atualmente nas Filipinas voltem para a China. Em Hong Kong, bandeiras foram hasteadas a meio-mastro. A bolsa de valores promoveu um minuto de silêncio em homenagem às vítimas. Dois aviões, levando médicos e psicólogos, foram enviados para Manila para transportar os sobreviventes. O ministro chinês de Relações Exteriores, Yang Jiechi, ligou para o ministro filipino, Alberto Romulo, para dizer que a China estava "chocada" com o incidente.

"O governo chinês exige que o governo filipino lance uma investigação rígida sobre o incidente e informe o lado chinês sobre os detalhes relacionados o mais rápido possível", disse Yang.

O porta-voz do ministério chinês, Ma Zhaoxu, disse que a China já enviou uma equipe às Filipinas para tratar do caso. "A China pediu às Filipinas para que eles adotem medidas pragmáticas para garantir a vida e a segurança dos bens dos chineses no país", disse ele.

Promessas
As Filipinas prometeram que investigarão a fundo o caso. Sobreviventes e especialistas criticaram a polícia por hesitar diante do sequestrador. Na última hora do cerco, a polícia tentou entrar no ônibus, mas fracassou, sendo expulsa a tiros. Uma hora depois eles conseguiram subir no ônibus. No entanto, o atirador já estava morto, junto com outros oito dos 15 passageiros a bordo.

O presidente filipino defendeu a negociação conduzida pela polícia, dizendo que não havia sinais de que o atirador estava com intenção de matar os reféns. Mas ao ser questionado se estava satisfeito com a polícia, Aquino respondeu: "Como você pode estar satisfeito se algumas pessoas foram mortas?"

Um dos sobreviventes, uma mulher identificada como Leung pela imprensa local, disse a jornalistas: "Por que não havia alguém para nos ajudar, depois de tantas horas?" Ela disse que seu marido, um dos passageiros, estava tentando impedir o atirador de matar os outros a bordo. "Eu sinto falta dele. Eu queria ter morrido com ele. Mas eu penso nos meus filhos", disse ela.

BBC Brasil
BBC Brasil - BBC BRASIL.com - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização escrita da BBC BRASIL.com.