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 Berlusconi tenta evitar eleições antecipadas na Itália
20 de agosto de 2010 18h24 atualizado às 19h39

O chefe do governo italiano, Silvio Berlusconi, tentou evitar nesta sexta-feira as eleições antecipadas, ao oferecer um programa de governo aos dissidentes de sua coalizão, a fim de poder governar até 2013. O novo programa será submetido ao Parlamento em setembro, segundo anunciou o próprio Berlusconi.

"Se não contarmos com o apoio da maioria (do Parlamento) não resta outra alternativa a não ser aceitar as eleições, porque passar desse prazo repercutiria negativamente sobre o país", declarou Berlusconi no fim de uma longa reunião de mais de seis horas com dirigentes de seu partido Povo da Liberdade (PDL).

Depois da ruptura em julho passado com seu aliado Gianfranco Fini, atual presidente da Câmara dos Deputados, reina um clima de incerteza política na Itália, o que abalou a imagem do magnata chefe de governo, defensor até agora da estabilidade. Depois de 17 anos de aliança, Fini retirou seu apoio à coalizão, fazendo com que Berlusconi perdesse a maioria absoluta na Câmara dos Deputados.

Para sair do atoleiro, Berlusconi propôs submeter um novo programa de governo ao Parlamento, de forma a resolver o confronto político e assim poder governar "os outros três anos" da legislatura. O novo programa é baseado em cinco pontos: Justiça, fisco, federalismo econômico, políticas para o sul do país e mais segurança, e será apoiado pelos dissidentes de Fini (33 deputados e 10 senadores) ou parte deles, permitindo à maioria de direita continuar sem problemas no poder.

"Trata-se do programa que sempre apoiamos e a razão pela qual fazemos parte da coalizão de direita, na qual permaneceremos", declarou Italo Bocchino, porta-voz do grupo dissidente liderado por Fini. "Esta é uma vitória de Fini", completou.

Como é tradição, o magnata das comunicações assegurou que não teme submeter-se a eleições, já que considera que sua coalizão arrasaria com "porcentagens superiores a 50%". Antes da reunião de sexta-feira do PDL, Berlusconi freiou as aspirações dos chamados "falcões" da coalizão, que pediam eleições antecipadas o quanto antes, entre eles Umberto Bossi, líder do partido populista e antiimigração Liga Norte, entre os aliados mais importantes de Berlusconi.

Segundo as pesquisas divulgadas pela imprensa, o partido antiimigração, particularmente forte no norte rico e industrializado da península, se beneficiará amplamente de uma nova eleição, seduzindo inclusive o eleitorado do magnata das comunicações. A posição de Berlusconi, 73 anos, líder indiscutível da direita italiana, tinha se complicado, o que levou os líderes de seu partido a estabelecer a estratégia a seguir.

Para o vice-ministro de Desenvolvimento, Adolfo Urso, do grupo de dissidentes, trata-se de "um bom início, porque se fala de política e programas que servem aos italianos", disse. Ao ilustrar diante da imprensa o novo programa, Berlusconi insistiu sobre dois temas que considera não negociáveis: a imunidade judicial, assim como a reforma da magistratura, acusando-a de ser politizada e de esquerda.

Os rebeldes de Fini manifestaram também suas reservas sobre esses temas, que serão abordados posteriormente. O magnata das comunicações negou o que a imprensa denominou de "campanha de aquisições" de dissidentes de Fini para que regressassem ao PDL.

A possibilidade de um governo de transição com a esquerda para sair da crise foi refutada pelo milionário: "não se justifica formar um governo com os derrotados nas eleições", disse.

AFP
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