O chefe do governo italiano Silvio Berlusconi anunciou nesta sexta-feira que aceitará eleições antecipadas em dezembro caso perca o apoio do Parlamento.
"Se não contarmos com o apoio da maioria (do Parlamento) não resta outra alternativa a não ser aceitar as eleições, porque passar desse prazo repercutiria negativamente sobre o país", declarou Berlusconi no fim de uma longa reunião de mais de seis horas com dirigentes de seu partido Povo da Liberdade (PDL).
Depois da ruptura em julho passado com seu aliado Gianfranco Fini, atual presidente da Câmara dos Deputados, reina um clima de incerteza política na Itália, o que abalou a imagem do magnata chefe de governo, defensor até agora da estabilidade. Depois de 17 anos de aliança, Fini retirou seu apoio à coalizão, fazendo com que Berlusconi perdesse a maioria absoluta na Câmara dos Deputados.
Para sair do atoleiro, Berlusconi propôs submeter um novo programa de governo ao Parlamento, de forma a resolver o confronto político e assim poder governar até 2013.
O novo programa é baseado em cinco pontos: Justiça, fisco, federalismo econômico, políticas para o sul do país e mais segurança, e será apoiado pelos dissidentes de Fini (33 deputados e 10 senadores) ou parte deles, permitindo à maioria de direita continuar sem problemas no poder."Trata-se do programa que sempre apoiamos e a razão pela qual fazemos parte da coalizão de direita, na qual permaneceremos", declarou Italo Bocchino, porta-voz do grupo dissidente formado por Fini. Como é tradição, o magnata das comunicações assegurou que não teme submeter-se a eleições, já que considera que sua coalizão arrasaria com "porcentagens superiores a 50%".
Antes da reunião de sexta-feira do PDL, Berlusconi freiou as aspirações dos chamados "falcões" da coalizão, que pediam eleições antecipadas o quanto antes, entre eles Umberto Bossi, líder do partido populista e antiimigração Liga Norte, entre os aliados mais importantes de Berlusconi.
Para o vice-ministro de Desenvolvimento, Adolfo Urso, do grupo de dissidentes, trata-se de "um bom início, porque se fala de política e programas que servem aos italianos", disse.

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