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 Irã rejeita enviar condenada à morte para asilo no Brasil
17 de agosto de 2010 07h02 atualizado às 09h52

O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, disse que Sakineh Mohammadi Ashtiani, a mulher condenada à morte por apedrejamento pelo crime de adultério, não será enviada ao Brasil, apesar da oferta de asilo feita pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A sentença imposta a Sakineh causou comoção internacional e se tornou um surpreendente tema de discussão na atual campanha eleitoral brasileira.

Lula, que tem relações amistosas com Ahmadinejad, ofereceu asilo a Sakineh neste mês. A proposta já havia sido anteriormente rejeitada por um porta-voz da chancelaria iraniana, segundo a qual o presidente brasileiro "não havia recebido suficiente informação" sobre o caso.

Em entrevista à Press TV, canal estatal iraniano em língua inglesa, Ahmadinejad disse: "Acho que não há necessidade de criar problemas para o presidente Lula e levá-la ao Brasil."

"Estamos interessados em exportar nossa tecnologia para o Brasil, em vez de (exportar) uma questão dessas", acrescentou ele na entrevista, transmitida na segunda-feira à noite. Ahmadinejad falou em farsi e sua voz foi coberta pela tradução para o inglês.

"Há um juiz, afinal de contas, e os juízes são independentes. Mas conversei com o chefe do Judiciário, e o Judiciário não concorda com isso (o asilo da ré)."

Pela lei islâmica vigente no Irã, os crimes de homicídio, adultério, estupro, assalto, apostasia e narcotráfico estão sujeitos à pena de morte.

Em entrevista coletiva, Ramin Mehmanparast, porta-voz da chancelaria, disse que o Ocidente criou todo o furor em torno de Sakineh para prejudicar o Irã. "Isso é mais um complô a fim de criar problemas nas estreitíssimas relações (do Irã) com Brasil e Turquia", afirmou.

"Os países independentes não permitem a outros países que interfiram em seus assuntos judiciais", afirmou Mehmanparast. "Os países ocidentais não devem pressionar nem dar tanta atenção ao assunto", completou o porta-voz, para quem o pronunciamiento destas nações contra a condenação é "irracional e tem um enfoque político".

Ao ser questionado sobre a proposta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de dar asilo a Sakineh Ashtiani no Brasil, Mehmanparast tentou ser diplomático. "Quando Brasília receber os detalhes do caso, compreenderá que é um mero alvoroço criado para abalar as relações entre Brasil e Irã".

Em maio, Brasil e Turquia convenceram o Irã a aceitar um acordo de intercâmbio de material nuclear, na esperança de que isso afastasse as preocupações ocidentais de que o país estaria tentando desenvolver armas nucleares ¿ o que o Irã nega. O acordo acabou não sendo levado adiante porque logo em seguida a ONU anunciou um novo pacote de sanções ao Irã.

Sakineh foi condenada em 2006 a 99 chibatadas por ter uma "relação ilícita" com dois homens, segundo a entidade Anistia Internacional. Posteriormente, foi condenada à morte por apedrejamento, acusada de "adultério enquanto estava casada", o que a Anistia diz que ela nega. Depois, surgiu também uma acusação de envolvimento no homicídio do seu marido.

A sentença por apedrejamento foi suspensa, à espera de uma revisão judicial do caso, mas ainda poderá ser aplicada.

Na semana passada, uma mulher identificada como Sakineh deu uma entrevista à TV iraniana, falando de sua relação com um homem que matou seu marido.

A Anistia Internacional diz que o Irã é o segundo país do mundo que mais recorre à pena de morte, atrás apenas da China. Em 2008, a República Islâmica realizou pelo menos 346 execuções.

O presidente do Irã, Mahmud Ahmadinejad, já havia manifestado uma opinião similar em uma entrevista ao canal iraniano em língua inglesa Press TV, exibida no domingo.

"Acredito que não há necessidade de criar problemas ao presidente Lula, nem de levá-la ao Brasil. Preferimos exportar para o Brasil nossa tecnologia e não este tipo de gente. Creio que o problema será solucionado no Irã", disse Ahmadinejad.

Brasil e Irã trocaram várias mensagens nas últimas semanas pelo caso de Sakineh Mohamadi Ashtiani, 43 anos, mãe de dois filhos, condenada a ser executada a pedradas no Irã por adultério e também acusada de cumplicidade no homicídio do marido.

Vários países ocidentais e grupos de defesa dos direitos humanos iniciaram uma intensa campanha para evitar a execução de Sakineh Ashtiani.

A execução da pena foi temporariamente suspensa pelo chefe da autoridade judicial iraniana, Sadeq Larijani.

Na semana passada, o advogado da iraniana, Hutan Kian, afirmou ao jornal britânico The Guardian que sua cliente foi agredida violentamente e torturada para que aceitasse admitir a culpa em uma entrevista exibida pela televisão iraniana.

Sakineh Mohamadi Ashtiani foi condenada em 2006 por ter mantido "relações ilegais" com dois homens depois da morte do marido. A sentença de apedrejamento provocou uma onda de indignação em todo o mundo e foi suspensa temporariamente pelo ministro da Justiça, Sadeq Larijani.

O advogado manifestou o temor de que o governo iraniano execute a cliente, que teve a pena transformada em morte por enforcamento no mês passado.

Com informações adicionais da agência AFP

Reuters
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