O embaixador norte-americano junto à Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) defendeu nesta quinta-feira uma inspeção obrigatória especial na Síria para esclarecer suspeitas de atividade atômica secreta. Um relatório confidencial da agência nuclear obtido em maio pela Reuters dizia que a Síria revelara a inspetores da Organização das Nações Unidas (ONU) alguns detalhes de experiências nucleares do passado, mas continuava impedindo o acesso deles ao terreno no deserto, onde a atividade atômica secreta pode ter ocorrido.
Relatórios de inteligência dos Estados Unidos dizem que no terreno havia obras ¿ destruídas por um bombardeio israelense em 2007 ¿ de um reator nuclear destinado a produzir combustível para bombas atômicas. O projeto seria norte-coreano. A Síria permitiu que a AIEA fosse ao local, conhecido como Al Kibar ou Dair Alzour, em junho de 2008, mas nunca mais deixou que os inspetores voltassem.
Glyn Davies, embaixador dos EUA junto à AIEA em Viena, disse que "vários países" começam a se perguntar se não é hora de evocar o mecanismo de "inspeção especial" da AIEA. "A Síria ... adoraria simplesmente protelar qualquer ação séria para chegar ao fundo do que eles estavam fazendo em Al Kibar", disse o diplomata a jornalistas em Londres. "Nossa posição é de que não vamos adiar isso indefinidamente, não podemos. A agência precisa fazer seu dever, e precisa receber as respostas a essas questões. Uma inspeção especial é uma das ferramentas disponíveis, então isso é algo que precisa ser considerado", disse ele.
A AIEA não tem meios jurídicos para obrigar a Síria a se abrir às inspeções, porque o tratado de salvaguardas básicas do país abrange apenas sua única instalação atômica declarada, um reator de pesquisas antigo. As inspeções especiais, por sua vez, permitem que a AIEA examine qualquer lugar, mesmo que não sejam usinas nucleares, e com pouco aviso prévio.
Davies disse que a AIEA deveria examinar a questão da Síria neste ano, mas alertou contra tratar de muitas questões ao mesmo tempo, salientando que o programa nuclear do Irã ainda é "a maior ameaça no momento." Ele sugeriu que a Turquia e possivelmente o Brasil poderiam participar de futuras negociações para a implementação de um acordo de intercâmbio de combustível nuclear a fim de limitar o processo de enriquecimento de urânio do Irã.
A proposta foi apresentada originalmente em outubro, e em maio o Brasil e a Turquia convenceram Teerã a aceitar a ideia ¿ o que afinal não ocorreu, porque logo depois o Conselho de Segurança da ONU impôs novas sanções ao país. Na segunda-feira, o diretor-geral da AIEA, Yukiya Amano, disse que o plano poderá voltar a ser negociado nos próximos meses.

- Reuters - Reuters Limited - todos os direitos reservados. Clique aqui para limitações e restrições ao uso.

Assista agora »
Assista agora »
