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 Ex-aliado de Berlusconi anuncia criação de partido próprio
30 de julho de 2010 14h07 atualizado às 14h27

Um dia depois de ter sido expulso pelo primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, do partido que fundaram juntos, Gianfranco Fini anunciou nesta sexta-feira a criação de um novo partido político.

Fini aproveitou para dizer que não renunciará à Presidência da Câmara dos Deputados, como queria o primeiro-ministro, a quem chamou de "antiliberal".

Em uma entrevista coletiva lotada em Roma, Fini respondeu com dureza às acusações do primeiro-ministro e afirmou que foi expulso do partido Povo da Liberdade (PDL) sem que pudesse expressar suas opiniões e acrescentou que o "crime" que cometeu foi ter ousado criticar o primeiro-ministro e alguns projetos de lei do governo.

"Foi escrita uma página negra para a centro-direita italiana e certamente não renunciarei ao cargo de presidente da Câmara dos Deputados, já que minha missão é garantir o Parlamento e não a maioria que o elegeu", afirmou Fini em resposta a Berlusconi.

Fini acusou o primeiro-ministro de ter um "conceito empresarial" do Estado e uma concepção "antiliberal da democracia".

O político se comprometeu a defender a legalidade "porque muitos cidadãos de centro-direita não entendem por que em nosso partido as garantias constitucionais muitas vezes são entendidas como impunidade".

Segundo Fini, seu novo partido apoiará "lealmente o Governo cada vez que tomar medidas incluídas no programa eleitoral" e vai se opor "caso as decisões sejam injustamente lesivas ao interesse geral".

O novo partido, que formalizou hoje sua inscrição no Parlamento, se chamará Futuro e Liberdade e contará inicialmente com 34 deputados e dez senadores.

Embora Berlusconi esteja convencido de que o PDL manterá a cômoda maioria absoluta da qual desfrutava no Parlamento, esta transposição de parlamentares pode colocá-la em perigo.

Até agora, a coalizão no poder contava com 344 deputados de um total de 630. A saída dos 34 aliados a Fini pode vir a restringir a ação do Governo, ao deixar o PDL em minoria na Câmara Baixa - no Senado, o partido de Berlusconi continua com maioria absoluta.

Berlusconi, que justificou a expulsão de Fini ao defender que sua posição é incompatível com os princípios do PDL, disse não estar disposto a suportar mais um "partido dentro do partido".

"Tirei um peso das costas, me sinto libertado como quando me divorciei", disse Berlusconi segundo a imprensa italiana.

O racha no PDL vem apenas 16 meses depois de seu surgimento, com a fusão do Forza Itália de Berlusconi e da Aliança Nacional de Fini, com o objetivo de criar um grande partido italiano, e após 16 anos de convivência política.

Mas as relações entre os dois líderes políticas se deterioraram profundamente nos últimos anos. Fini criticava Berlusconi por sua dependência da separatista Liga Norte, de tendências xenófobas, e o Governo pelo uso reiterado dos votos de confiança para aprovar leis e encurtar os trâmites parlamentares.

Fini também expressou suas dúvidas sobre as reais intenções do Executivo para combater a máfia, pressionou para a renúncia de dois ministros e um subsecretário por vários escândalos e exigiu ética do Executivo.

Além disso, se opôs à chamada "lei da mordaça" promovida por Berlusconi que limita o uso e a divulgação de escutas telefônicas em investigações oficiais e conseguiu aprovar uma emenda que permitirá a publicação de escutas consideradas como "relevantes".

O projeto de lei está na Câmara dos Deputados e o debate só será retomado depois das férias parlamentares na Itália.

Segundo a oposição, na realidade, se trata do "afundamento" da lei, graças aos aliados de Fini.

EFE
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