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 Sem solução para crise, Unasul propõe "cúpula presidencial"
29 de julho de 2010 23h54 atualizado em 30 de julho de 2010 às 01h38

O Equador, que ocupa a presidência rotativa da Unasul, defendeu a convocação de uma cúpula presidencial do bloco para tratar da ruptura diplomática entre Colômbia e Venezuela, ao final da reunião de chanceleres realizada nesta quinta-feira, em Quito.

"Convidamos os chefes de Estado para que, de forma direta, abordem os temas que analisamos nesta reunião", disse o chanceler equatoriano, Ricardo Patiño, após quatro horas de discussões entre os representantes dos doze países da União das Nações Sul-Americanas (Unasul).

Esta cúpula "será de muita utilidade" para Colômbia e Venezuela "em seu caminho visando uma solução à crise diplomática", completou.

Patiño, que se reuniu separadamente com o chanceler colombiano, Jaime Bermúdez, e com seu colega venezuelano, Nicolás Maduro, destacou que a decisão de convocar a cúpula caberá ao presidente equatoriano, Rafael Correa, e ao secretário da União das Nações Sul-Americanas, Néstor Kirchner.

"Oxalá seja um segundo passo adiante na aproximação dos governos de dois povos irmãos", assinalou o chanceler, que espera que a cúpula ocorra nas "nas próximas semanas".

O ministro revelou que a reunião de hoje não permitiu obter um documento de consenso, devido às amplas divergências entre os chanceleres Jaime Bermúdez e Nicolás Maduro. "Nesta reunião não obtivemos um documento oficial firmado por cada um dos chanceleres porque persistem posições muito distantes, que não permitiram elaborar um texto final".

Patiño assinalou que estas divergências também não permitiram aprovar um mecanismo de "verificação" sobre a presença de guerrilheiros colombianos no território venezuelano. "Mas os estados membros consideram que para se preservar a paz e a harmonia entre nossos países é necessário um claro compromisso contra a presença de grupos irregulares na região que desenvolvam atividades fora da lei e perturbem a paz em cada um de nossos países".

Segundo o chanceler Bermúdez, foi a Venezuela que impediu um consenso sobre um mecanismo de cooperação para combater a presença de guerrilheiros colombianos em outros países.

"Lamento que não tenhamos obtido um consenso definitivo", disse Bermúdez, acrescentando que durante a reunião "todos os chanceleres concordaram com um texto preliminar que incluía distintos aspectos", como a "definição de mecanismos eficazes de cooperação para impedir a presença de grupos criminosos e terroristas, neste caso as Farc e o ELN, em qualquer país da região".

"Mas quando todos os chanceleres estavam de acordo com este texto preliminar, na última hora a Venezuela decidiu não aceitá-lo (...), o que reforça nossa preocupação concreta com o tema".

Em 22 de julho passado, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, rompeu relações com a Colômbia após Bogotá denunciar na Organização dos Estados Americanos (OEA) a presença de 1.500 guerrilheiros colombianos no território venezuelano.

A Unasul é integrada por Brasil, Colômbia, Venezuela, Equador, Argentina, Bolívia, Chile, Guiana, Paraguai, Peru, Suriname e Uruguai.

AFP
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