Abbas (esq.) conversa com o premiê do Qatar, Hamad bin Jassem al-Thani, durante reunião da Liga Árabe
Foto: AP
A Liga Árabe deixou nesta quinta-feira a porta aberta para que sejam retomadas as conversas diretas entre palestinos e israelenses, mas condicionou esse diálogo a uma negociação "séria" e com "resultados definitivos".
"As experiências anteriores (em diálogos entre palestinos e israelenses) só serviram para perder tempo", afirmou o secretário-geral da Liga Árabe, Amre Moussa, no final de uma reunião de um comitê especial da organização.
"Queremos que as conversas diretas comecem, mas que sejam sérias e definitivas, para chegar a resultados definitivos", acrescentou o ministro de Exteriores do Catar, Hamad bin Yazin bin Gaber Al-Thani.
Os dois dirigentes explicaram aos jornalistas as conclusões às quais chegou um comitê de acompanhamento da iniciativa de paz árabe que analisou os resultados conseguidos até agora no diálogo indireto. Palestinos e israelenses começaram as conversas indiretas no dia 9 de maio passado, com mediação americana.
Não se esperava decisões importantes dessa reunião, já que ainda falta mais de um mês para o fim do prazo de quatro meses dado pela Liga Árabe e pelos palestinos para ver se o diálogo indireto tem frutos e estudar a eventualidade de chegar a uma negociação direta.
Israelenses e palestinos mantiveram negociações diretas no passado, mas o processo ficou bloqueado há dois anos. Embora Israel insista em voltar à mesa de negociações, árabes e palestinos querem se assegurar de que não será um diálogo em vão.
O secretário-geral da Liga Árabe lembrou que essas condições incluem que Israel aceite os limites fronteiriços anteriores à guerra de 1967 e o fim da construção de assentamentos nos territórios ocupados.
O ministro do Catar informou que na reunião desta quinta-feira o comitê da Liga Árabe decidiu enviar uma mensagem à Casa Branca dando seu apoio condicionado às negociações diretas, "apesar de até agora não enxergar resultados".
"Também dissemos que as negociações diretas têm que ter um calendário. Não falamos de como e quando elas começariam, porque os palestinos devem decidir os princípios com os quais começariam", acrescentou Al-Thani.
A Liga Árabe, acrescenta Moussa, quer a apresentação de "garantias por escrito" dos Estados Unidos de que as condições palestinas serão satisfeitas, como um próximo passo para passar à mesa de negociações.
Esse anúncio contrasta com posturas prévias à reunião, já que, segundo fontes da Liga Árabe consultadas pela agência EFE, alguns ministros estavam satisfeitos com a possibilidade de que essas garantias dos Estados Unidos fossem orais, não escritas.
Essa eventualidade foi analisada em uma reunião realizada na primeira hora de hoje com Moussa, o ministro egípcio de Assuntos Exteriores, Ahmed Aboul Gheit, e seu colega do Catar, no quarto do hotel do presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, tirado da cama para falar sobre o assunto.
Na reunião desta quinta-feira, Abbas, que chegou ontem ao Cairo, apresentou um relatório sobre os resultados do diálogo indireto ao comitê de acompanhamento da Liga Árabe, mas a reunião foi a portas fechadas.
Por enquanto o tema ficou adiado até uma reunião de ministros da Liga Árabe, que será realizada no dia 16 de setembro, oito dias depois do prazo de quatro meses dado para o fim do diálogo indireto.
Os árabes estão à espera também do passo que tanto os EUA como outras nações ocidentais, que vieram insistindo, junto com Jerusalém, na necessidade de que haja um diálogo direto entre palestinos e israelenses.

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