O presidente Lula recebe o colega da Nicarágua, Daniel Ortega, no Palácio do Itamaraty, em Brasília
Foto: Reuters
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seu colega da Nicarágua, Daniel Ortega, reiteraram nesta quarta-feira que o golpe de Estado do ano passado em Honduras "é uma ferida que ainda está aberta", e pediram calma a Colômbia e Venezuela, que enfrentam uma grave crise diplomática.
Tanto a situação em Honduras como a crise entre colombianos e venezuelanos foram analisadas pelos dois governantes durante uma reunião a portas fechadas, realizada durante a primeira visita oficial de Ortega ao Brasil.
Com relação à crise entre Colômbia e Venezuela, Lula destacou que, em sua opinião, "não há conflito" além do "verbal", e considerou que é necessário "ter paciência e calma" até 7 de agosto, quando o atual presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, passará o poder a Juan Manuel Santos.
Lula disse que conversará sobre o assunto com o presidente venezuelano, Hugo Chávez, durante a visita oficial que fará à Venezuela em 6 de agosto, e que nesse mesmo dia viajará a Bogotá para se reunir com Uribe e com Santos.
"Estamos dispostos a construir a paz na América do Sul", e para isso é fundamental "recuperar a normalidade" nas relações entre Caracas e Bogotá, apontou o presidente.
Sobre essa situação, Ortega lembrou os conflitos que há três décadas sacudiam os países centro-americanos, e que foram superados quando "houve disposição para o diálogo" entre todas as partes envolvidas.
No caso da Colômbia, declarou que "o conflito interno, que extrapola as fronteiras, deve ser resolvido primeiro com a vontade dos colombianos por buscar acordos", o que, em sua opinião, ajudaria a reduzir as tensões regionais.
"Também contribuiria para continuar com a nova história de unidade e integração que os povos latino-americanos constroem", acrescentou o líder nicaraguense.
Sobre Honduras, Lula e Ortega deram a entender que ainda não se deram as condições necessárias para que seus governos reconheçam como legítimo presidente de Porfirio Lobo, que assumiu em janeiro após vencer as eleições convocadas após o golpe que derrubou Manuel Zelaya em meados do ano passado.
"Não podemos admitir que o golpe de 28 de junho de 2009 em Honduras se transforme em um incentivo para novas aventuras contra a democracia", ressaltou Lula.
Já Ortega insistiu em que é "necessário" que Honduras esteja em "condições" de ser reincorporado à Organização dos Estados Americanos (OEA) e ao Sistema de Integração Centro-Americano (Sica).
O presidente nicaraguense desconheceu uma decisão do Sica da semana passada que aprovou o retorno de Honduras, em reunião à qual Manágua não enviou representantes.
"Precisamos trabalhar para superar essa situação, e para que o Sica também possa desenvolver relações com a União de Nações Sul-Americanas (Unasul) e busque a integração latino-americana", afirmou Ortega.
No âmbito regional, Lula reiterou a Ortega seu interesse na retomada das conversas para um acordo comercial entre o Sica e o Mercosul, negociado desde 2004.
Também apontou que, durante a Presidência rotativa do Mercosul - que o Brasil exercerá a partir de 3 de agosto - será traçada a meta de concretizar essas negociações, "que seriam fundamentais" para impulsionar o comércio entre as duas regiões.
Durante o encontro, os dois presidentes também discutiram a agenda bilateral, com ênfase em planos de cooperação que o Brasil apoia na Nicarágua nas áreas de agricultura, casas populares, saúde, educação, energia e combate à fome.
Nesse sentido, Ortega destacou o apoio que a Nicarágua recebeu do Brasil para a construção da represa hidroelétrica de Tumarín, na Região Autônoma do Atlântico Sul, cujas obras ficaram nas mãos de um consórcio de capital brasileiro.

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