Bush deveria passar sua mensagem com um tom mais positivo, segundo o analista do periódico de propriedade saudita, Al-Sharq al-Awsat. "Ao invés de ainda desejar continuar com suas velhas políticas, ele deveria vir com novas propostas para reformas radicais. Seu novo slogan deveria ser: O melhor ainda está por vir", escreveu Amir Tahiri.
O Kommersant, da Rússia, também vê ameaças veladas a outros líderes no pronunciamento. Em artigo na edição desta sexta-feira do jornal, Dmitriy Sidorov e Boris Vokhonskiy dizem que parece pouco provável que a política americana mude nos próximos quatro anos pois o discurso seguiu um anterior da futura secretária de Estado, Condoleezza Rice, no Senado.
Mas Washington está procurando novos alvos para sua política externa: a substituição da expressão "eixo do mal" por uma nova e pode acrescentar países como Cuba, Zimbábue e Bielorussia à tradicional lista de países onde reina a tirania, diz o jornal russo.
"Messiânico"
Na Europa, o pronunciamento do presidente americano também foi visto com algum ceticismo por vários jornais.
Para o El Periodico, da Espanha, o tom foi "messiânico, triunfalista e arrogante". Para o jornal o "abuso" de palavras como "liberdade" e sua "invocação da vontade de Deus" são um "mau sinal" em vista de "como tais idéias foram manipuladas e aplicadas em relação ao Iraque".
No começo de um segundo mandato, diz El Periodico, não é provável que "este Bush perturbador" consiga que opositores à guerra do Iraque pelo mundo afora mudem de idéia. El Pais, também da Espanha, disse que a palavra "Iraque" estava notavelmente ausente do discurso.
O jornal alemão Sueddeutsche Zeitung diz que "o mundo inteiro busca uma resposta à questão se George Bush vai realmente ser um presidente diferente em seu segundo mandato". Na visão do diário, o discurso "sinalizou pelo menos que, apesar dos amargos insucessos no Iraque, sua sensação de missão não foi dissipada".
Na Grã-Bretanha, na primeira página do The Independent, sob a manchete "Pompa e circunstância", vê-se de um lado uma foto da posse de Bush e, de outro, uma cena no Iraque, onde um suposto suspeito é vendado por um soldado americano.
O jornal reproduz trecho do pronunciamento em que Bush repete palavras do ex-presidente americano Abraham Lincoln, de que "os que negam liberdade a outros não a merecem para si", e acrescenta que no Iraque, "onde o 'regime fora-da-lei' de Saddam Hussein experimentou a ira virtuosa do presidente Bush, mal havia tempo para ouvir a um sentimento tão nobre" pois soldados britânicos em Basra lidavam com as conseqüências do primeiro ataque suicida a suas forças na região.
Mas em editorial o Independent vê no discurso de Bush "nuances que indicaram que lições foram aprendidas talvez da maneira mais difícil. Houve um reconhecimento (no discurso) da interconexão do mundo, que nem sempre mereceu uma aquiescência deste presidente voltado para os interesses americanos".
"Sorrisos para a família, uma advetência dura para o mundo" é a manchete do jornal britânico The Guardian. Em editorial, o jornal britânico diz que Bush tem que mostrar tato político se vai transformar seus grandes propósitos em realidade nos próximos quatro anos.

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