Imagem captada de vídeo da petroleira americana BP mostra a nova tentativa de conter o vazamento de óleo no Golfo do México
Foto: Reuters
Ondas e fortes ventos, provocados pela tempestade tropical Bonnie, empurrarão a maré negra para a costa do Golfo do México, causando mais danos a hábitats sensíveis e animais da região, mas ajudará a dissolver o petróleo lançado no mar, disseram especialistas nesta sexta-feira.
A Bonnie chegará ao Golfo do México no sábado e avançará sobre o pior desastre ambiental da história dos Estados Unidos antes de entrar, no domingo, na costa da Luisiana, segundo prognósticos do centro nacional de furacões. "No leste da área onde a tempestade chegará ao território, o petróleo será levado com força para a costa e o petróleo que já está perto das margens será empurrado mais para o interior", disse Peter Ortner, diretor do Instituto de Estudos Marinhos e Atmosféricos, da escola Rosentiel da Universidade de Miami.
"Como resultado, haverá maior dano a hábitats frágeis, especialmente estuários e pântanos, e um efeito nocivo geral, dada a importância que estes ecossistemas do Golfo têm para todo o sistema produtivo e de reprodução", advertiu. Para este especialista, uma das maiores preocupações atuais é a interrupção das operações de controle do vazamento e deixar o poço tapado sem possibilidade de retirar o petróleo para um navio-tanque na superfície de dois a quatro dias.
"Corre-se o risco de que isto resulte em outra perda de controle do petróleo" e na ruptura dos dispositivos que deteem a perda do poço, alertou. Na quinta-feira, as autoridades americanas ordenaram a suspensão das operações de controle do vazamento de petróleo da empresa petroleira britânica BP, e evacuar os barcos e pessoas mobilizados na região por pelo menos 48 horas até que a tempestade passe.
Ortner destacou que "um aspecto positivo será que a oeste de onde a tempestade vai entrar no território, o petróleo que estiver perto da costa será jogado para mais longe, e as praias e margens poderão ser lavadas pelas fortes chuvas e ventos que se dirigirem mar adentro". Além disso, informou que "a degradação do petróleo poderia ser acelerada e se misturar mais com a água e por reexposição ao oxigênio em algumas áreas".
Os ventos da tempestade Bonnie, que esta sexta-feira chegavam aos 65 km/h, "vão levar o petróleo da superfície até a costa e vão espalhá-lo por uma extensa área, especialmente na Luisiana", lamentou Manhar Dhanak, diretor do Instituto Oceanográfico da Florida Atlantic University. O acadêmico considerou, ainda, que "o petróleo poderia ser empurrado pelos ventos rumo à corrente do Golfo", uma circulação oceânica que se dirige para os keys do sul da Flórida e a costa leste dos Estados Unidos, podendo transportar a contaminação para estas regiões.
Embora a Bonnie "seja, por enquanto, uma tempestade fraca, vai gerar uma importante ondulação que, associada à arrebentação, vai produzir mistura e a dispersão do petróleo e da camada que flutua na superfície será mais indefinida" e mais difícil de controlar, avaliou Dhanak. Da mesma forma, o oceanógrafo e cientista Laurent Cherubin, também da escola Rosentiel de Ciências Marinhas da Universidade de Miami, opinou que, "enquanto a maré alta e os ventos ajudarão a diluir o petróleo e isto pareça um efeito positivo, (na verdade) não será tanto".
"Há microorganismos que estão morrendo e toda a cadeia alimentar oceânica morre em sua base", explicou. Como resultado disto, "os animais podem escapar da tempestade, mas suas fontes de alimentação ficarão gravemente empobrecidas", disse. "Por isso, embora a ameaça do petróleo visualmente pareça diminuir" por efeito de uma biodegradação maior, "vai aumentar seu impacto sobre pequenos organismos, ao incrementar a contaminação devido à dissolução do petróleo em pequenas partes", explicou o cientista.

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