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 Posse de Bush domina programação da TV americana
20 de janeiro de 2005 21h19

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Imagens de um homem indo à igreja, andando de carro pela cidade e prestando um juramento, tudo temperado com canções e discursos patrióticos e uma cuidadosa coreografia, dominaram hoje a cobertura da posse presidencial norte-americana nos canais noticiosos do país.

O presidente George W. Bush tomou posse de seu segundo mandato em um evento coberto por algumas emissoras como se fosse a versão republicana de uma coroação real. Hipérbole e reverência foram a marca das intervenções dos repórteres. "Este é um momento majestoso para todo o país", disse Wolf Blitzer, da CNN. "Absolutamente eletrizante", disse o âncora Peter Jennings, novato nesse tipo de cobertura.

Quem passou horas acompanhando mais de dez canais ao vivo antes do grande evento achou, porém, tudo menos eletrizante. As redes convocaram especialistas e políticos para discutirem de tudo, de segurança à Bíblia que o presidente usaria para prestar juramento. "Este é um momento em que técnicas da cobertura do 'show business' são aplicadas a um evento político", disse o analista de televisão Andrew Tyndall, comparando esta cobertura com a da entrega do Oscar ou de uma coroação real na Europa.

A atmosfera ficou ainda mais densa com a presença do ex-presidente George Bush e com as especulações de que o irmão mais novo do atual presidente, Jeb, que é governador da Flórida, pode disputar a Casa Branca em 2008. "Há muitos membros da família Bush aqui hoje. Você acha que estamos olhando para uma dinastia?", perguntou Jennings, da ABC, a um assessor da Casa Branca que foi entrevistado.

O guarda-roupa da primeira-dama Laura Bush foi alvo de muitas especulações nos últimos dias. Ela escolheu um modelo do estilista, Oscar de la Renta, muito popular entre as estrelas de Hollywood. "A primeira-dama parece simplesmente magnífica, ela é uma figura tão popular neste país. A primeira-dama ideal, digna, maternal", disse um entusiasmado comentarista do canal Fox News.

A emissora, acusada freqüentemente de ser tendenciosa a favor de Bush, acrescentou que os ex-presidentes democratas Jimmy Carter e Bill Clinton receberam aplausos menos do que calorosos ao entrarem no palanque VIP de onde assistiram à cerimônia. Bryan Keefer, editor-assistente da revista Columbia Journalism Review, disse que a cobertura dos diversos canais foi semelhante. "Todo mundo quer ser respeitoso com o cargo e com a cerimônia, e isso leva as pessoas a deixarem as análises mais tolas."

Um locutor da CNN disse, é bem verdade, que não se tratava de um dia de celebração para todos os norte-americanos. "Há um monte de gente em Washington, de inclinação democrata, que está em outro lugar hoje", afirmou.

Fora da capital, alguns norte-americanos mostravam que o entusiasmo com a cerimônia que passava na TV de fato não foi generalizado. "Quarenta milhões de dólares por uma festa é dinheiro demais", disse Marty Schwartz, consultor de segurança contra incêndios em Nova York, referindo-se à quantia doada por particulares para bancar os quatro dias de celebrações.

As principais redes mal mencionaram os protestos realizados por grupos anti-Bush simultaneamente à posse. Desta vez, os organizadores da cerimônia mantiveram os manifestantes a uma distância segura de Bush - o que não ocorreu há quatro anos, quando sua limusine foi atingida por ovos durante o trajeto até a Casa Branca.

Tyndall disse que só se interessou em ver o discurso da posse. "Na história norte-americana, o pronunciamento de posse é muito importante, então essa é a coisa. O resto é um excesso de cobertura", afirmou.

Mas as emissoras acharam que nenhum detalhe seria insignificante a ponto de passar despercebido pelas câmeras. Enquanto o desfile avançava na direção do Capitólio, os jornalistas da CNN falavam sobre detalhes da nova limusine blindada, explicando que os passageiros não podem abrir ou fechar os vidros elétricos. "O presidente realmente não controla muita coisa de onde está sentado", afirmou um repórter.

Reuters
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