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 Opositores venezuelanos criticam ruptura com Colômbia
22 de julho de 2010 18h59 atualizado às 19h52

Setores da oposição venezuelana rejeitaram nesta quinta-feira a ruptura das relações com a Colômbia, anunciada pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez, enquanto líderes empresariais pediram "ponderação" na condução da crise bilateral. Chávez anunciou nesta quinta o rompimento das relações com a Colômbia por considerar como uma "ofensa" as denúncias colombianas na Organização dos Estados Americanos (OEA) sobre a presença de guerrilheiros em território venezuelano.

O dirigente e fundador do partido opositor Primeiro Justiça (PJ, liberal), Julio Borges, chamou a situação de "delicada" e disse que a decisão de Chávez seria uma maneira de distrair os venezuelanos de problemas internos rumo ao pleito parlamentar de 26 de setembro. "Chávez tem uma mentalidade militar. Sempre precisa de um inimigo e, se não tem, inventa um. Este é um governo que sempre pensa na ruptura, no choque", afirmou Borges em declarações.

O opositor disse esperar que o presidente venezuelano "não utilize" o conflito com a Colômbia em seu "benefício político", em detrimento da dimensão "social" do mesmo. O secretário-geral do social-cristão Copei-Partido Popular, Luis Carlos Solórzano, solicitou ao governo de Chávez que permita a verificação internacional das denúncias colombianas.

José Rozo, líder da entidade patronal Fedecámaras no estado de Táchira, na fronteira com a Colômbia, expressou sua preocupação com a "grave" situação com o país vizinho. "O dano" dos governos de Chávez e do presidente colombiano, Álvaro Uribe, à economia da fronteira "não tem nenhum perdão, porque milhares de postos de trabalho estão sendo perdidos", declarou Rozo à Efe por telefone.

O congelamento das relações bilaterais desde julho de 2009 teve grande impacto no setor comercial, que chegou a registrar uma troca comercial de quase US$ 6 bilhões em 2008. O presidente nacional da Fedecámaras, Noel Álvarez, manifestou nesta quinta-feira sua "preocupação" com a ruptura de relações com a Colômbia e pediu "ponderação" no tratamento e resolução deste conflito diplomático.

"Os enfrentamentos ideológicos entre os presidentes nos causaram danos, principalmente povo, porque o Palácio de Miraflores e a Casa de Nariño têm uma política, mas os que sofrem ou se beneficiam são os cidadãos", disse Álvarez à imprensa local.

EFE
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