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 Posse de Bush tem número recorde de manifestantes
20 de janeiro de 2005 19h26

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Jenna Bush boceja atrás de seu pai e ao lado da irmã Barbara na cerimônia de posse no Capitólio. Foto: Reuters

Jenna Bush boceja atrás de seu pai e ao lado da irmã Barbara na cerimônia de posse no Capitólio.
20 de janeiro de 2005
Foto: Reuters

A posse do presidente dos EUA, um momento em que o país costuma esquecer suas diferenças internas, este ano foi uma demonstração da profunda divisão da sociedade, com a presença do maior número de manifestantes já registrado em décadas em Washington.

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    A capital do país virou uma amostra da sociedade americana: de um lado, as ruas do centro da cidade ferviam com legiões de mulheres vestidas de vison e homens com gravata e chapéus de caubói. De outro, milhares de manifestantes, principalmente jovens, alguns cheios de piercings, outros com visual de "bons moços" e membros de grupos religiosos, gritavam palavras de ordem como "Parem a guerra" e "Vamos à Casa Branca".

    O juramento do presidente, com toda a pompa, é normalmente um paliativo para as feridas internas do país, quando os militantes do partido derrotado se resignam e esperam um resultado diferente nas eleições seguintes. Mas, depois de um mandato de Bush, que em 2000 prometeu ser um líder que uniria o país, as diferenças estão à flor da pele, alimentadas principalmente pela guerra no Iraque.

    "Várias vidas americanas e iraquianas foram tiradas por causa de uma mentira", disse Maureen Whaley, uma mulher de 40 anos vinda da Pensilvânia - um dos estados mais disputados durante as eleições de novembro e onde a vitória foi do candidato democrata John Kerry. "Disseram essas mentiras em nosso nome", disse, indignada, Tabitha Dallenbach, uma jovem de 19 anos usando uma estrela na testa.

    Os manifestantes se concentraram em diversos pontos da cidade e marcharam para o percurso do desfile de posse atravessando os círculos concêntricos das blitze da polícia, que fechou o tráfico em 100 quarteirões do centro da cidade. A quantidade e o volume dos protestos surpreendeu as hordas de republicanos de todo o país que se reuniram em Washington para celebrar a vitória do seu líder.

    "Acho que são uns estúpidos, estão gastando energia e tempo", disse Lisa Ullman, 43 anos, que foi a Washington com chapéu de caubói. "Deveriam procurar trabalho", acrescentou. "É um pouco tarde para protestar, não?", ironizou Terry Williams, uma mulher de meia-idade vestida com casaco de pele que veio do Arkansas. "Acho que é uma falta de respeito. Este é o dia de Bush", afirmou Adam Mestre, 18 anos, morador do Alabama. Vários grupos de manifestantes conseguiram ser ouvidos durante o discurso de Bush na escadaria do Congresso.

    No primeiro momento, as palavras de ordem assombraram os presentes, em sua maioria fiéis seguidores do presidente. Mas, depois, os protestos foram abafados por vaias e gritos de "USA".

    Enquanto isso, nas imediações do percurso do desfile de posse, milhares de manifestantes lotavam alguns pontos de blitz da polícia e provocaram momentos de tensão. Alguns chegaram a derrubar latas de lixo e arremessar cartazes. A polícia reagiu com dezenas de agentes, alguns da tropa de choque, incentivados por aplausos e gritos dos militantes de Bush que estavam perto.

    Num dos pontos de concentração dos manifestantes, um ex-soldado pegou o microfone para protestar contra o conflito no Iraque, como aconteceu durante a guerra no Vietnã. Adán Delgado, de família cubana, disse que os US$ 40 milhões de custo da cerimônia de hoje, sem contar a segurança, deveriam ser usados para comprar coletes à prova de balas para os soldados mobilizados no Iraque e blindar os veículos de guerra. "O que passei no Iraque me enche de culpa e remorso. Por isso critico a guerra", disse Delgado mais tarde em uma entrevista.

    A seu lado, centenas de caixões cobertos por bandeiras dos EUA representando os mortos no Iraque repousavam em um parque de Washington. As divisões evidenciadas hoje vão além do desagrado contra um presidente conservador por parte dos democratas. Estes se agruparam também, com cartazes visíveis, durante o trajeto de Bush entre o Capitólio e a Casa Branca.

    Segundo James Hudnut-Beumler, decano de Teologia da Universidade Vanderbilt, os manifestantes acham que Bush, o cristão convicto que sempre apela para Deus em seus discursos, "está errado com base na moral e que eles têm a razão com base na moral". "Não duvido de que Bush tenha fé. Mas acho que ele está errado e me incomoda parecer que ele fala em nome da igreja cristã", disse Sarah Scruggs, 23 anos, do grupo cristão Sojourners.

  • EFE
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