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 Sérvia diz que jamais reconhecerá a independência de Kosovo
22 de julho de 2010 12h29 atualizado às 14h46

O ministro das Relações Exteriores sérvio, Vuk Jeremic, aguarda decisão do CIJ em Haia. Foto: Reuters

O ministro das Relações Exteriores sérvio, Vuk Jeremic, aguarda decisão do CIJ em Haia
Foto: Reuters

O ministro sérvio das Relações Exteriores, Vuk Jeremic, assegurou nesta quinta-feira que seu país jamais reconhecerá a autoproclamada independencia de Kosovo, depois que a Corte Internacional de Justiça (CIJ) ditar que essa decisão não violou o direito internacional.

"Jamais reconheceremos a proclamação unilateral de independência de Kosovo", declaruo Jeremic à imprensa na porta da CIJ em Haia, acrescentando que a Sérgia tinha "dias difíceis" pela frente e lançou um pedido de calma.

A declaração de independência de Kosovo não violou o direito internacional geral, decidiu nesta quinta-feira a Corte Internacional de Justiça (CIJ).

"A declaração de 17 de fevereiro de 2008 não violou o direito internacional geral", afirmou o presidente da CIJ, Hisashi Owada, em uma resolução não vinculante do tribunal com sede em Haia solicitada pela Assembleia Geral da ONU.

Em declarações anteriores à leitura da decisão, o ministro sérvio das Relações Exteriores, Vuk Jeremic, havia advertido que todas as fronteiras do mundo correriam perigo caso a CIJ desse seu apoio à secessão de Kosovo, em alusão a outras regiões que poderão seguir seus passos e proclamar sua independência.

Sessenta e nove países, incluindo os Estados Unidos e 22 dos 27 membros da União Europeia, reconheceram a independência de Kosovo, que conta com 2 milhões de habitantes, dos quais 90% são albaneses. Somente a Espanha não reconheceu.

A Sérvia não reconhece a declaração unilateral de independência de Kosovo e a considera uma província sua. Belgrado esperava uma decisão favorável, que permitirá que inicie novas negociações sobre o estatuto de Kosovo.

O governo kosovar aguardava, por sua vez, que a CIJ apoiasse sua declaração de independência, proclamada em 17 de fevereiro de 2008, para facilitar o acesso aos países e às organizações internacionais que ainda não reconheceram.

Em 8 de outubro de 2008, Sérvia conseguiu que a Assembleia Geral das Nações Unias recorresse à CIJ para que decidir se a independência de Kosovo era legal.

De 1º a 11 de dezembro de 2009, a Sérvia, Kosovo e 29 estados, entre eles Estados Unidos e Rússia, participaram em uma audiência oral em Haia.

A guerra de 1998-1999 entre as forças de Belgrado e os separatistas kosovares deixou 13 mil vítimas, em sua maioria albaneses de Kosovo. Um total de 1.862 pessoas continuam dadas como desaparecidas.

AFP
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  1. O presidente da Corte Internacional de Justiça, Hisashi Owada (centro), lê declaração oficial

    Foto: AP

  2. O chanceler kosovar, Skender Hyseni (centro), chega ao Palácio da Paz, em Haia

    Foto: AP

  3. O ministro das Relações Exteriores sérvio, Vuk Jeremic (esq.), chega ao local da audiência

    Foto: AP

  4. O embaixador sérvio Cedomir Radojkovic (esq.) e o chanceler Vuk Jeremic (centro) assistem à audiência

    Foto: AP

  5. Homem passa de moto por muro com a palavra "Justiça", em Belgrado, na Sérvia

    Reuters
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  6. O Palácio da Paz sediou a audiência da Corte Internacional de Justiça nesta quinta-feira, em Haia

    Reuters
    Foto: Reuters

  7. Família kosovar comemora decisão da Corte Internacional de Justiça em Pristina, capital do Kosovo

    Foto: AP

  8. O ministro do Exterior kosovar, Skender Hyseni, concede entrevista após audiência da CIJ, em Haia

    Foto: AP

  9. Sérvio ortodoxo realiza comanda missa pedindo por uma decisão justa da CIJ em Gracanica, no Kosovo

    Foto: AP

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