Notícias » Mundo » Mundo

 Globovisión rejeita mudanças editoriais com chavistas na direção
21 de julho de 2010 18h28 atualizado às 19h27

O canal Globovisión e seus acionistas rejeitaram nesta quarta-feira qualquer tentativa de mudança na linha editorial da emissora, um dia depois de o presidente venezuelano, Hugo Chávez, declarar que queria o controle de 48,5% de seu capital. "Resistiremos aos atropelos do 'caudilho'", disse Alberto Federico Ravell, dono de 10% das ações da emissora. Ele era diretor da "Globovisión" até poucas semanas atrás e se destacou por seu posicionamento de oposição ao governo de Hugo Chávez.

Em um comunicado redigido na terça-feira, logo após a divulgação da intenção de Chávez de controlar quase 50% do canal, a emissora já havia informado que sua linha editorial "não se expropria, nem se intervém". Segundo o presidente venezuelano, os 28,5% das ações do banqueiro Nelson Mezerhane, dono de um banco recentemente estatizado pela falta de liquidez, e os 20% de Luis Núñez, acionista falecido há pouco tempo, juntos, representam a quantia de ações que "está no ar" e que o governo quer se apropriar.

Ravell, no entanto, diz que Chávez "se equivocou em seu baile de números" porque "no máximo" ele poderia se apropriar dos 25% correspondentes à participação de Mezerhane. O banqueiro está foragido da justiça venezuelana, assim como o presidente da Globovisión, Guillermo Zuloaga, este último acusado por formação de quadrilha, por causa de um suposto sumiço de veículos para revendas a preços "inflados".

Ambos se encontram nos Estados Unidos, e Chávez pediu publicamente ao governo de Barack Obama que extradite o banqueiro porque, na sua opinião, ele é "um ladrão" que "roubou o dinheiro dos acionistas". O presidente da Venezuela espera tomar as propriedades de Mezerhane, entre elas a participação da Globovisión, para recuperar parte dos US$ 1,6 bilhão que calculou como "o aproximado das economias" dos 600 mil clientes cadastrados no banco estatizado, valor que tem sido reposto pelos bancos estatais.

Chávez também confia que o Estado tome os 20% das ações do acionista falecido, alegando que os direitos de herança não existem nos contratos de concessão para transmissão. Segundo o governante, com essas transferências de ações, "ninguém poderá dizer" que seu governo "está expropriando".

Ravell ironizou declarando que o Executivo, "se atuar legalmente", pode tomar os seus 10% de ações, os 20% atribuídos à filha e herdeira de Luis Núñez, e os 45% de Zuloaga. Além disso, acrescentou Ravell, "nem mesmo nesta suposição" ele poderia intervir na diretoria da emissora "como se estivesse na redação".

O acionista lamenta, no entanto, que "tudo pode acontecer" em no país que Chávez tornou "autocrático, onde não existe divisão de poderes e onde constantemente as leis são violadas". Ele também disse que não compreende como o presidente venezuelano quer "se tornar o acionista de um canal que chamou de golpista diversas vezes".

Chamou, além disso, de "pura fantasia" a possibilidade de Mario Silva e Alberto Noria, comunicadores que promovem Chávez no canal estatal VTV, entrarem para a direção da Globovisión, como proposto. Ravell atribuiu a "nova tacada" contra a emissora como "um pano vermelho" para tentar "cobrir" os problemas do país, especialmente "os que vem lá de cima amanhã, quando a Colômbia colocar diante da Organização dos Estados Americanos (OEA) as provas de que líderes guerrilheiros colombianos se encontram na Venezuela", disse.

O acionista também destacou que depois de falar com os trabalhadores da Globovisión, os encontrou "com mais vontade de trabalhar, mais rigidamente e com mais vontade de sair às ruas para cobrir suas notícias".

EFE
EFE - Agência EFE - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização escrita da Agência EFE S/A.