Dias após negar em público ser assessor de Muammar Kadafi, o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair teve conversas secretas com o ditador líbio, segundo informa neste sábado o jornal Daily Mail.
De acordo com o que uma fonte líbia teria dito ao jornal, Blair foi recebido "como um irmão" em Trípole e deu a Kadafi "muitos e valiosos conselhos". Os dois teriam discutido assuntos de âmbito nacional e internacional, incluindo oportunidades de negócio.
O jornal diz que a reunião ocorreu em junho, pouco depois de Blair negar ser assessor "assalariado ou sem salário" do ditador líbio.
Blair, cujo único cargo oficial atual é o de enviado do quarteto negociador para o Oriente Médio, terá que explicar, segundo o jornal, os potenciais conflitos de interesse.
Quando era primeiro-ministro, Blair trocou um abraço com Kadafi após facilitar um grande acordo entre a petrolífera BP e a National Oil Corporation, da Líbia.
Parentes dos 270 mortos no atentado de Lockerbie (Escócia), citados pelo Daily Mail, criticaram duramente a reunião de Blair com Kadafi.
Na sexta-feira, o chanceler britânico, William Hague, qualificou de "erro" a libertação, há quase um ano, do único condenado pelo atentado, o líbio Abdelbaset al-Megrahi, que cumpria prisão perpétua na Escócia.
O Comitê de Relações Exteriores do Senado americano, presidido por John Kerry, quer que a BP testemunhe no Congresso depois que a companhia reconheceu ter pressionado o governo britânico, em 2007, a assinar um acordo com a Líbia sobre a transferência de presos.
A possível relação entre a libertação do terrorista líbio e os negócios britânicos com a Líbia será um dos temas que o primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron, acabará tendo que tratar na visita a Washington, na próxima semana.

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