As autoridades cubanas e a Igreja Católica mantiveram hoje silêncio absoluto sobre os próximos presos políticos que serão libertados e viajarão para a Espanha, para onde três deles devem partir esta noite, segundo o governo de Madri. Um segundo grupo de três presos políticos cubanos chegará amanhã a Madri com seus familiares, como parte do processo de libertação de opositores com o qual se comprometeu o governo do presidente cubano, Raúl Castro, antecipou o Ministério de Assuntos Exteriores espanhol.
Em meio a anúncios das viagens em Madri, em Cuba, da mesma forma que na segunda-feira, é mantido um silêncio oficial absoluto sobre os detalhes das mudanças dos dissidentes e de suas famílias. Após a chegada nesta terça-feira à Espanha dos primeiros sete libertados, os próximos a deixar a ilha ainda hoje serão Normando Hernández, Omar Rodríguez e Luis Milán.
Os três dissidentes foram condenados em 2003 a penas de entre 13 e 27 anos de prisão. Fontes do Ministério de Exteriores espanhol disseram que, na quinta-feira, outros presos chegarão a Madri, cuja identidade ainda não foi revelada. Todos os que serão libertados pertencem ao Grupo dos 75, como foi chamado o grupo de opositores condenados a penas de até 28 anos de prisão no período conhecido como 'Primavera Negra', em 2003.
O regime cubano anunciou que libertará 52 opositores ao regime nos próximos quatro meses. Após as próximas três libertações esperadas para hoje e a prevista para quarta-feira, seguirá, nos próximos dias, a libertação de outros nove presos que completam a lista de nomes fornecidos até o momento pela Igreja Católica sobre opositores que aceitaram se mudar para a Espanha após sair da prisão.
Ainda não foi totalmente esclarecido o que acontecerá com os presos políticos que quiserem continuar em seu país. Setores da dissidência interna cubana criticaram que estas libertações estejam condicionadas à expatriação, além da forma como elas estão acontecendo, com a transferência dos presos da prisão até o aeroporto de Havana para imediatamente depois tomarem o avião rumo à Espanha.
Os presos que voaram na segunda-feira para Madri, depois de sete anos atrás das grades, se reencontraram com suas famílias no aeroporto antes de partir, segundo fontes próximas. Outros opositores, como o economista Oscar Espinosa - que fazia parte do Grupo dos 75 e que foi libertado por motivos de saúde - consideram, no entanto, que as libertações constituem "um importante passo" e confiam em que abrirão as portas para reformas, para que Cuba saia da crise em que está submersa.
"Grupos dentro e fora do governo receberam um duro golpe e suas possibilidades de reverter o processo de reconciliação nacional se reduziram consideravelmente", afirmou Espinosa, em um recente artigo. Enquanto os presos e suas famílias aguardam impacientes notícias sobre a libertação e mudança para a Espanha, o assunto mais comentado entre a maioria dos cubanos nesta terça-feira foi a reaparição do líder Fidel Castro na televisão.
Seu retorno às telas da televisão estatal e à vida pública cubana foi recebida com surpresa e alegria, pelo "saudável" aspecto do líder cubano, que em 2006 cedeu o poder a seu irmão Raúl devido a uma grave doença. "O cara tem mais saúde que eu", disse nesta terça, em Havana, Ivan, de 66 anos, que acredita que "Fidel é um gênio, não há um estadista que tenha sua capacidade".
No entanto, as opiniões se dividem entre os cubanos sobre se Fidel voltará a aparecer na mídia com frequência. Após a transmissão do discurso do líder ontem, a imprensa oficial dedicou hoje um amplo espaço para destacar as reações na ilha, assim como as repercussões na mídia estrangeira sobre sua reaparição.

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