A milícia radical islâmica somali Al-Shabab, ligada à Al-Qaeda, assumiu hoje em entrevista coletiva em Mogadíscio sua responsabilidade pelos atentados de domingo em Campala, nos quais morreram ao menos 74 pessoas, os primeiros que o grupo comete fora de seu país.
Em Campala, o Inspetor geral da polícia, Kale Kayihura, disse em entrevista coletiva que havia detido uma pessoa relacionada aos atentados de domingo e que ontem localizou um cinto com explosivos utilizados pelos terroristas suicidas.
O cinto leva a crer que os terroristas preparavam um terceiro atentado e se supõe que os outros dois foram executados por suicidas. Restos de corpos mutilados foram identificados nos locais das explosões. A polícia acredita que um era eritreu e o outro somali.
O porta-voz de Al-Shabab, Ali Mohamud Rage, conhecido como "Ali Dhere", indicou: "advertimos reiteradamente aos ugandenses que se não deixassem de massacrar nossa gente em Mogadíscio provariam a dor outra vez, mas seus dirigentes mercenários disseram a eles que as ameaças de Al-Shabab só eram declarações".
Soldados de Uganda e Burundi compõem as tropas da missão da União Africana na Somália (Amisom), que apóia o Governo transitório, apoiado pela comunidade internacional, mas cujo controle se limita a algumas regiões de Mogadíscio e as áreas em poder de milícias tribais aliadas.
O porta-voz deste braço da Al-Qaeda na África também ameaçou o Burundi: "Faço uma advertência as pessoas do Burundi que eles são mais frágeis do que a Uganda, têm menos força e menos experiência.
Esperamos que eles tirem lições com o ocorrido em Uganda".
"Se não escutarem nossa advertência e retirarem vossos mercenários de Mogadíscio, o próximo alvo será Bujumbura e podem estar seguros que não poderão impedir que a Al-Shabab ataque", avisou "Ali Dhere".

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