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 Grã-Bretanha concede asilo a gays vítimas de perseguição
07 de julho de 2010 18h11 atualizado às 19h02

A Suprema Corte da Grã-Bretanha concedeu nesta quarta-feira asilo a dois homossexuais que alegavam sofrer perseguição em seus países de origem, Irã e Camarões. Os juízes da corte concordaram por unanimidade com a concessão de asilo aos dois homens.

Anteriormente, os dois tiveram seus pedidos de asilo recusados por um tribunal inferior sob alegação de que eles poderiam esconder sua sexualidade agindo discretamente. À época, a Corte de Recursos havia decidido que, se os dois homens conseguissem esconder sua sexualidade, a situação deles poderia ser encarada como "razoavelmente tolerável".

Os dois homens, no entanto, recorreram alegando que este teste de tolerância é contrário à Convenção para Refugiados, da qual a Grã-Bretanha é signatária. David Hope, vice-presidente da Suprema Corte e o juiz que leu a sentença nesta quarta-feira, afirmou que obrigar uma pessoa homossexual a "fingir que sua sexualidade não existe ou a reprimir o comportamento pelo qual se manifesta, é negar seu direito fundamental de ser quem ele é".

A secretária do Interior britânica, Theresa May, afirmou que o julgamento justificou a postura do atual governo britânico, formado por uma coalizão de conservadores e liberais-democratas.

Ataques
O homem de Camarões, que é identificado pelas iniciais H. T., afirma que foi atacado por um grupo em casa depois de ter sido visto beijando seu parceiro. "Algumas pessoas me pararam e disseram: 'sabemos que você é gay'", disse H. T. à BBC. "Não posso voltar e esconder quem eu sou ou mentir sobre minha sexualidade", acrescentou.

Nos últimos quatro anos, H. T. vinha lutando contra sua deportação da Grã-Bretanha. O outro homem que conseguiu asilo é um iraniano de 31 anos que teria sido atacado e expulso da escola quando foi descoberto que ele era homossexual. No Irã a punição por atos homossexuais pode ir de chicoteamentos em público até a pena de morte. Em Camarões, as penas de prisão por homossexualidade variam entre seis meses e cinco anos.

BBC Brasil
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