O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou neste sábado, em Cabo Verde, que o Brasil e a África estão unidos para o futuro. Lula se reuniu com dez chefes de Estado africanos na ilha de Sal, no arquipélago africano, durante a cúpula extraordinária da Comunidade Econômica dos Estados da África do Ocidente (CEDEAO), destinada a ampliar as bases comerciais entre a África Ocidental e o Brasil.
"Reiteramos aqui o compromisso comum de construir uma história comum para a paz, a estabilidade e o desenvolvimento. Hoje estamos unidos para o futuro", afirmou, durante a abertura da cúpula.
"O Brasil tomou a decisão de reencontrar-se com a África, já que não temos os meios políticos de pagar a dívida da história para com o continente. O que queremos é criar as condições para transferência de tecnologias para a África, nos âmbitos que criam mais-valias", disse.
No plano econômico, "decidimos lançar um mecanismo financeiro com a CEDEAO, em particular, e com a África em geral para promover os intercâmbios no âmbito industrial e comercial. Também queremos eliminar a pobreza e a fome. Este deve ser o credo de todos nós", afirmou Lula.
O presidente brasileiro defendeu os plantadores de algodão africanos que acusam a concorrência dos produtores ocidentais, que contam com subvenções.
"É preciso encontrar uma solução justa para o tema das subvenções ao algodão, já que neste setor afeta milhões de pessoas e a cooperação neste âmbito será o embrião de uma colaboração duradoura, positiva, entre África e Brasil", disse.
Em nome da CEDEAO, o presidente cabo-verdiano, Pedro Pires, prestou uma homenagem a Lula e desejou que o Brasil consiga uma vaga no Conselho de Segurança da ONU.
"O presidente Lula terminará seu segundo mandato dentro de seis meses, é uma ocasião para prestar uma veemente homenagem por seu compromisso em favor de nosso continente", afirmou o presidente Pires.
"O Brasil é um país ouvido, respeitado e seu presidente é um grande defensor dos interesses dos países africanos. (...) Deve ter uma vaga no Conselho de Segurança da ONU", disse.
Os vários participantes se manifestaram a favor de reforçar a "cooperação Sul-Sul" na agricultura, o intercâmbio tecnológico, a segurança e as energias renováveis.
A reunião conta com os chefes de Estado de dois países de língua portuguesa (Cabo Verde e Guiné Bissau), quatro francófonos (Burkina Faso, Costa do Marfim, Mali, Senegal) e cinco anglófonos (Gana, Libéria, Nigéria, Serra Leoa).
"Esta cúpula extraordinária tem por objetivo ampliar as bases comerciais entre a África Ocidental e os países da América do Sul", disse na quinta-feira o ministro cabo-verdiano das Relações Exteriores José Brito.
"O presidente Lula se esforçou por aproximar os países sul-americanos e a África, e seu mandato termina no fim deste ano. Os chefes de Estado da CEDEAO querem prestar uma homenagem a ele", afirmou.
Depois, Lula visitará outros cinco países africanos - Guiné Equatorial, Quênia, Tanzânia, Zâmbia e, por fim, a África do Sul. Esta é a quinta e última viagem de Lula pela África como presidente.

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