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 Peru desmente números da ONU sobre produção de folha de coca
23 de junho de 2010 17h05 atualizado às 17h44

O presidente peruano, Alan García, chamou de "inexata" a informação de um organismo da ONU segundo o qual o Peru foi o maior produtor mundial de folha de coca em 2009, mas admitiu que seu país sofre "o efeito do Plano Colômbia". "É absolutamente inexato que o Peru ocupe o primeiro lugar, (mas) é certo que nós sofremos o efeito do Plano Colômbia", declarou García a jornalistas.

O Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC, na sigla em inglês) anunciou ontem que o Peru foi o maior produtor mundial de folha de coca no ano passado, com 119 mil toneladas, contra 103 mil da Colômbia. No entanto, o escritório da entidade em Lima esclareceu que a Colômbia aparecia à frente do Peru caso um mesmo sistema de medição fosse usado.

García lembrou que, "na Colômbia, há seis ou sete anos os Estados Unidos investiram US$ 5 bilhões para erradicar o narcotráfico e atacar os cultivos destinados à cocaína". "É por isso que alguns produtores de folha de coca que se estabeleceram em Putumayo (região na fronteira com o Peru), aproveitando as selvas", alegou o presidente peruano.

García destacou as autoridades peruanas têm tido "grande êxito na erradicação e substituição produtiva da folha de coca" nas regiões de San Martín e do Vale dos Rios Apurimac e Ene, "com as dificuldades que possa haver" especialmente nesta última, onde a presença de traficantes e terroristas é intensa. Esta afirmação contradiz distintas fontes envolvidas nos programas de substituição de cultivos, que asseguraram à Agência Efe que somente há cultivos na zona de Alto Huallaga.

García reiterou que o relatório do UNODC tem contradições porque ofereceu números diferentes ao ser apresentado em Lima, Bogotá e Viena, onde fica a sede do organismo. O escritório em Lima declarou ontem que os números foram obtidos por meio de métodos diferentes: os colombianos mediram a folha secada ao forno (que é como o narcotráfico costuma atuar no país), enquanto os peruanos levaram em conta a folha secada ao sol.

Se nos dois casos fosse medido o volume de folha secada ao sol, a Colômbia, com 149.391 t, estaria à frente do Peru, com 128 mil, segundo o cálculo do diretor do Programa de Monitoração de Cultivos Ilícitos do UNODC no Peru, Humberto Chirinos. Em qualquer caso, a quantidade de hectares dedicados em 2009 ao cultivo da folha de coca no Peru subiu 6,8% em um ano, até 59,9 mil hectares, contra os 68 mil hectares registrados na Colômbia.

"Lamento dizer que essa informação não ratifica, nem prova, o que algum funcionário disse na Colômbia", disse o presidente peruano ao falar dos dados oferecidos em Viena. García também alegou que o cultivo de folha de coca "talvez aumente devido ao fato de que o grande consumo (de cocaína) não acontece apenas nos Estados Unidos, mas cresceu enormemente na Europa e na Ásia".

O UNODC anunciou ontem em Lima que a produção total de folha de coca no Peru foi de 128 mil toneladas, das quais nove mil correspondem ao chamado "consumo legal". No Peru, a planta de coca é legal, assim como na Bolívia e ao contrário da Colômbia, mas a folha consumida legalmente não representa nem 5% do total da colhida, sendo o resto majoritariamente destinado ao narcotráfico.

EFE
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