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 A. Latina é área onde mais cresce o consumo de coca no mundo
22 de junho de 2010 22h35 atualizado em 23 de junho de 2010 às 00h27

Com mais 2,7 milhões de consumidores de cocaína, a América Latina é a região mundial com o maior crescimento no consumo da droga. O dado é do representante regional para o México, América Central e Caribe do Escritório das Nações Unidas contra Drogas e Crime (Unodoc), Antonio Mazzitelli.

Os usuários da região recebem 20% de todos carregamentos do entorpecente distribuídos no mundo. Embora seja represente a população onde o consumo de cocaína mais cresceu, os maiores mercados estão nos Estados Unidos (41%) e na Europa (26%). "Há 20 anos, 90% do consumo era dos Estados Unidos", lembrou Mazzitelli.

Apesar do crescimento, Mazziteli contemporizou, dizendo que "tudo tem que ser visto em perspectiva. Seguramente se produz mais, se consome mais, mas considerando o que foi a epidemia da coca na década de 80 nos Estados Unidos, considerando sua expansão em todos os mercados, ainda é possível conter o problema".

Por sua vez, Maertens disse que as estimativas do organismo situam a produção mundial de cocaína "em torno das mil toneladas ao ano", embora tenha caído "nos dois últimos anos". Também afirmou que cerca de 45% da produção da cocaína é apreendida, embora nesse cálculo se contabilizem ainda confiscos como de folha de coca, pasta de coca e cocaína em trânsito nos países produtores.

Mazzitelli assegurou que o narcotráfico é um problema de segurança, de capacidade do Estado de brindar segurança e justiça e, "sobretudo, de fazer frente a problemas de desenvolvimento, muito mais que de problemas exclusivamente de segurança". Ele firmou que é preciso investir em gerar estruturas para apoiar o Estado de Direito, porque "se constroem estradas, mas não tribunais". "Aumentar as penas às drogas não soluciona o problema", já que este "é um problema de crime organizado", disse.

No entanto, Mazitelli descartou que a legalização seja uma via para regular o assunto, pois "o narcotráfico é o negócio mais proveitoso para o crime organizado, mas não o único" e toda a problemática, segundo ele, reside na existência deste tipo de grupos. Mazzitelli também defendeu a atuação dos organismos, agências e mecanismos internacionais para lutar contra este flagelo e disse que "não há descoordenação", embora "exista pluralidade de operadores e cada um tenha suas prioridades".

EFE
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