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 Cuba solta dissidente preso por compra no mercado negro
22 de junho de 2010 19h15 atualizado às 19h28

A Justiça cubana condenou na terça-feira um dissidente político por comprar cimento no mercado negro, mas decidiu libertá-lo, resolvendo um caso que provocou um incidente diplomático entre Cuba e vários países da União Europeia.

O médico Darsi Ferrer, 40, estava preso desde julho e terá de passar outros três meses sob prisão domiciliar.

Em Cuba, comprar produtos no mercado negro é ilegal, mas comum. Ferrer também foi condenado por agredir verbalmente um vizinho.

Em 2006 e 2007, o réu havia irritado o governo por comandar manifestações em prol dos direitos humanos no Malecón (avenida litorânea de Havana). Em ambas as ocasiões, os ativistas foram atacados por populares.

Diplomatas de Suécia, Alemanha, Polônia, Hungria e Grã-Bretanha visitaram a casa dele com jornalistas no ano passado, para demonstrar sua insatisfação com a prisão. Os europeus consideravam que uma acusação penal foi armada para justificar uma perseguição política.

O governo cubano convocou os diplomatas e os acusou de ameaçar o diálogo Cuba-UE, que tem tido avanços desde que Bruxelas suspendeu, em 2008, um pacote de sanções que o bloco europeu havia adotado em 2003 por causa da prisão de outros dissidentes.

A libertação de Ferrer é parte de um ligeiro relaxamento no tratamento que o governo dá aos dissidentes, vistos pelo regime comunista como mercenários a serviço dos EUA e de outros inimigos.

Neste mês, o governo libertou um preso político doente, e transferiu 12 outros para penitenciárias mais próximas de suas famílias.

A Igreja Católica disse esperar que outros sejam soltos nos próximos dias, como resultado da visita do ministro de Relações Exteriores do Vaticano, arcebispo Dominique Mamberti, que deixou Havana no domingo.

A pedido do cardeal Jaime Ortega, arcebispo de Havana, o governo desistiu de coibir com firmeza as manifestações das "Damas de Branco", um grupo que reúne mulheres e mães de dissidentes.

Em maio, a dissidente Dania García já havia celebrado o arquivamento de acusações de maus tratos a sua filha, pelas quais já havia passado duas semanas presa.

A Comissão Cubana de Direitos Humanos, uma entidade independente, mas tolerada pelo regime, diz que ainda há cerca de 190 presos políticos no país. Elizardo Sánchez, porta-voz da comissão, afirmou que o governo está tentando dar "uma face amigável ao drama de um grupo de prisioneiros de consciência".

(Reportagem adicional de Rosa Tania Valdes)

Reuters
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