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Erupção de vulcão provocará megatsunami na América

04 de janeiro de 2005 17h51 atualizado às 17h51

Uma onda de 50 metros de altura atingirá o litoral atlântico dos Estados Unidos e destruirá tudo no seu caminho. A previsão é de cientistas britânicos e norte-americanos, que incluem o Brasil na lista de possíveis lugares atingidos. Os especialistas dizem que não podem prever quando o fenômeno irá ocorrer.

Enquanto a comunidade internacional tenta ajudar as vítimas do maremoto no sudeste da Ásia, os especialistas alertam que a erupção de um vulcão nas ilhas Canárias, que pertencem à Espanha e ficam no litoral norte da África, pode provocar o maior tsumami já registrado. Segundo o estudo desses cientistas, uma explosão no vulcão Cumbre Vieja, na ilha de La Palma, pode lançar um pedaço de rocha do tamanho de uma ilha dentro do Atlântico, a uma velocidade de até 350 quilômetros por hora.

Nesse estudo, a energia liberada pela erupção seria equivalente ao consumo de eletricidade nos Estados Unidos durante seis meses. As ondas sísmicas se deslocariam pelo Atlântico na velocidade de um avião a jato. A devastação nos Estados Unidos provocaria prejuízos de trilhões de dólares e ameaçaria dezenas de milhões de pessoas. Espanha, Portugal, Grã-Bretanha, França, Brasil, Caribe e África Ocidental também poderiam ser atingidos pelas ondas gigantes.

"Isso pode ocorrer na próxima erupção, que pode acontecer no próximo ano, ou pode levar dez erupções", disse Bill McGuire, do Centro de Pesquisas Benfield Hazard, da Grã-Bretanha.

"Simplesmente não sabemos quando vai acontecer, mas há alguém preparado para assumir o risco depois dos incidentes do Oceano Índico?", disse McGuire, propondo a criação de um programa para monitorar a atividade sísmica na encosta do vulcão.

"Precisamos fazer com que as pessoas saiam antes do colapso em si. Uma vez que o colapso tenha acontecido, o Caribe teria nove horas, e os EUA de 6 a 12 horas, para retirar dezenas de milhões de pessoas."

O Cumbre Vieja, que teve sua última explosão em 1971, normalmente tem erupções em intervalos de 20 a 200 anos.

Mas outros especialistas vêem exageros na previsão sobre o Cumbre Vieja ou sobre o vulcão havaiano de Kilauea. A Sociedade Tsunami, que reúne especialistas de vários países, diz que essas teorias só servem para assustar as pessoas. O grupo argumenta que o Cumbre Vieja não explodiria em uma única rocha e que a onda criada seria muito menor. "Estamos falando de milhares de anos no futuro. Qualquer coisa pode acontecer. Um asteróide também poderia cair na Terra", disse George Pararas-Carayannis, fundador da Sociedade Tsunami.

Muitos especialistas acham que os tsunamis provocadas por deslizamentos abruptos duram menos do que aquelas geradas por terremotos fortes, como o de 26 de dezembro. Charles Mader, editor de uma revista do Hazards sobre tsunamis, prevê que mesmo um enorme deslizamento em La Palma provocaria ondas de apenas um metro de altura nos EUA.

De qualquer forma, especialistas avaliam que a ameaça dos tsunamis estava subestimada antes da tragédia asiática, que matou mais de 150 mil pessoas. "Não seria surpresa para mim se amanhã víssemos outra tsunami como essa," disse Pararas-Carayannis, apontando para as falhas geológicas de Portugal, de Porto Rico e do Peru como riscos possíveis. Para McGuire, um sistema de alerta no Índico teria evitado completamente as mortes em Sri Lanka e na Índia, já que na maioria dos casos a população precisava se deslocar apenas um quilômetro para ficar a salvo.

Na opinião dele, o risco dos tsunamis para a Terra só é inferior ao do aquecimento global. "Com as costas fortemente ocupadas agora, particularmente nos países em desenvolvimento, os tsunamis são um grande problema porque, ao contrário dos terremotos, transmitem a morte e a destruição através de oceanos inteiros."

Reuters
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