Em um discurso no Conselho de Segurança da ONU, Moreno Ocampo lamentou que permaneçam em liberdade no território sudanês o ex-vice-ministro do Interior do país Ahmed Haroun e o dirigente da milícia Janjaweed (pró-árabe) Ali Kushayb.
"A impunidade de Ahmed Haroun e Ali Kushayb é um dos principais problemas (de Darfur). Tem um custo", afirmou o jurista argentino.
Nesse aspecto, ressaltou que Kushayb continua sendo um líder tribal com amplos poderes no sul de Darfur, enquanto Haroun é na atualidade o governador da província de Kordofan Sul.
"Deveria se prendê-lo antes que cometa novos crimes em seu atual cargo", indicou o promotor.
Segundo ele, é por isso que os magistrados do TPI determinaram em 25 de maio que o Sudão descumpriu com sua falta de cooperação a resolução 1.593 do Conselho de Segurança por se negar a deter estes dois acusados por crimes de guerra e contra a humanidade.
"Este Conselho enfrentou antes casos de descumprimento de ordens de detenção por parte de Estados. Espero que se acuse o recebimento da decisão dos juízes e se faça um acompanhamento dela", assinalou Moreno Ocampo.
Para o responsável da promotoria do TPI, a ausência de uma punição aos crimes que os dois suspeitos supostamente cometeram entre 2003 e 2005 explica que a violência persista em Darfur sete anos depois do início do conflito.
"Infelizmente, o crime de extermínio contra milhões de deslocados nos campos continuam, assim como as ações para impor-lhes condições de vida desumanas", ressaltou.
Além dessas sentenças, no ano passado, os magistrados do TPI emitiram uma ordem de prisão por crimes de guerra contra o presidente do Sudão, Omar al-Bashir, que também foi ignorada pelas autoridades de Cartum.
A guerra em Darfur, que explodiu em 2003, já deixou pelo menos 300 mil mortos e forçou 2,7 milhões de pessoas a abandonarem seus lares.

- EFE - Agência EFE - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização escrita da Agência EFE S/A.


Assista agora »
Assista agora »
