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 Naomi Campbell é chamada a depor em julgamento de ditador
20 de maio de 2010 17h32 atualizado às 18h05

A Procuradoria do Tribunal Internacional Especial para a Serra Leoa solicitou nesta quinta-feira que a modelo Naomi Campbell testemunhe sobre o suposto recebimento de diamantes das mãos do ex-presidente da Libéria Charles Taylor, julgado por crimes de guerra pela corte.

Uma moção foi apresentada ao tribunal apontando que o testemunho de Naomi "é necessário", já que há "evidências" de que ela recebeu diamantes brutos de Taylor em setembro de 1997, informou à agência Efe um porta-voz do tribunal.

O texto ainda deve ser aprovado pela corte e o porta-voz não soube informar quando haveria uma decisão, mas antecipou que poderia ser tomada antes de uma semana.

A moção inclui também o pedido de comparecimento da atriz Mia Farrow e da ex-agente de Naomi Carole White, já que, segundo a Procuradoria, as duas podem confirmar se a modelo recebeu ou não os diamantes de Taylor.

A modelo "não se mostrou cooperativa" sobre a ideia de testemunhar, enquanto Mia e Carole estão dispostas a apresentar-se, acrescentou o porta-voz. Se o tribunal aprovar a moção, será enviado um chamado oficial a Naomi para seu comparecimento.

A Procuradoria do TESL também apresentou nesta quinta-feira uma segunda moção para que o tribunal autorize a reabertura de sua fase de apresentação de testemunhas, que terminou em fevereiro.

O objetivo das duas moções é rebater a alegação da defesa de Taylor de que o ex-presidente nunca teve diamantes em suas mãos.

Em janeiro, a Procuradoria tinha afirmado durante o julgamento que Taylor teria dado um diamante grande de presente a Naomi Campbell em setembro de 1997, durante um jantar na África do Sul organizado por Nelson Mandela, presidente do país na época.

Taylor é julgado em Haia desde janeiro de 2008, por 11 acusações de crimes de guerra e contra a humanidade, por seu envolvimento no conflito civil que assolou Serra Leoa entre 1991 e 2002, deixando 50 mil mortos.

A ação dos rebeldes da Frente Revolucionária Unida (RUF, na sigla em inglês) no conflito foi financiada em parte pelos chamados "diamantes de sangue".

Segundo a Procuradoria, Taylor, que nega todas as acusações, participou ativamente do conflito com a entrega de armas ao RUF e na direção de suas operações para controlar as minas de diamantes de Serra Leoa.

EFE
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