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 ONU teme disputas por rotas de drogas em países africanos
07 de maio de 2010 16h58 atualizado às 17h18

A ONU expressou nesta sexta-feira o medo de que países da África Ocidental se tornem violentos como consequência do narcotráfico, como no México - onde quase 23 mil pessoas morreram em pouco mais de três anos -, caso haja conflitos pelo controle das rotas do tráfico de cocaína procedente da América do Sul.

"No México, os cartéis lutam pelo controle das rotas. O mesmo poderia acontecer na África, pelo controle da 'rota africana', dos depósitos, dos serviços. Envolve muito dinheiro", disse nesta sexta-feira à agência Efe Antonio Luigi Mazzitelli, representante para México e América Central do Escritório da ONU contra a Droga e o Delito (UNODC).

Desde os anos 80, organizações lideradas, sobretudo, por nigerianos traficam heroína e cocaína através de redes pouco estruturadas, mas muito eficazes e rápidas.

A partir dos anos 90, a rota começou a interessar, principalmente, traficantes colombianos, que tinham perdido terreno para os mexicanos no mercado americano e preferiam buscar novos canais de distribuição para sua cocaína rumo à Europa passando pela África Ocidental.

A droga sai da Bolívia, Colômbia ou Peru, cruza a Venezuela ou o Brasil e termina em países como Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Conacri, Benin e Gana, entre outros.

Segundo Mazzitelli, países com Estados "fracos, mas estáveis" eram os alvos, o que descartava os que passavam por guerras civis ou conflitos internos de intensidades variáveis, como Costa do Marfim, Libéria e Serra Leoa.

Em alguns países há uma crescente "concorrência entre provedores", que "pode claramente resultar em um possível cenário de enfrentamento violento" entre grupos criminosos "para assegurar o monopólio dos serviços oferecidos aos latino-americanos", segundo o funcionário da ONU.

Mazzitelli ressaltou uma mudança de paradigma já que, apesar de antes o narcotráfico na África ser um "negócio sem uma conotação violenta" associada a ele, como a que existe no México, e na América Central e do Sul, atualmente há um perigo de desestabilização.

EFE
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