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 Divulgadas imagens de documentos do massacre de Katyin
29 de abril de 2010 14h31

Documentos originais sobre o massacre de Katyn foram divulgados pelo Arquivo Federal da Rússia. Foto: Reuters

Documentos originais sobre o massacre de Katyn foram divulgados pelo Arquivo Federal da Rússia
Foto: Reuters

As imagens dos documentos secretos que detalham a decisão do governo soviético de assassinar 22 mil oficiais poloneses em Katyn, em 1940, foram divulgadas nesta quinta-feira pelas agências internacionais. A decisão de divulgar os documentos foi tomada ontem pelo presidente russo Dmitri Medvedev em um gesto de solidariedade em relação à Polônia, que recentemente foi abalada pela morte do presidente Lech Kaczynski.

Os documentos mostram como o líder Joseph Stálin aprovou o massacre comandado por Lavrenty Beria, seu homem de confiança dentro da polícia secreta, durante a Segunda Guerra Mundial.

O documento principal tem quatro páginas e foi enviado a Stálin por Beria, chefe da NKVD, precessora da KGB. Nele, o oficial expõe sua proposta de "rapidamente examinar o uso dos meios mais duros de punição - a morte a tiros". A assinatura de Stálin e um carimbo de "top secret" ilustram a primeira página. A iniciativa, diz o jornal britânico Times, é mais uma tentativa de Moscou de resolver as polêmicas com Varsóvia em relação a Katyn. No entanto, mais de 100 volumes relacionados à investigação ainda seguem restritos.

Os documentos divulgados hoje são cópias eletrônicas. No site http://rusarchives.ru/publication/katyn/spisok.shtml (o endereço está indisponível) é possível encontrar sete documentos da chamada "pasta para guardar papéis especiais Nº1", como era chamado o arquivo máximo da chefia soviética. O documento principal, com data de 5 de março de 1940 e com um sinal verde de Stálin e outros membros da cúpula soviética, acrescenta que estes casos devem ser vistos "sem pedir o comparecimento dos detidos e sem apresentação de acusações".

Os russos ainda não reconheceram oficialmente o crime cometido em Katyn como um massacre. Primeiro, o regime soviético atribuiu as mortes aos nazistas. Depois da queda do comunismo, Mikhail Gorbachev e Boris Yeltsin abriram os arquivos do caso e a Rússia assumiu a responsabilidade. Mas ainda há um impasse sobre a "descrição legal do crime". Putin, ao assumir o poder, endureceu novamente a posição de Moscou. O premiê chegou a dizer que se tratava de um "crime político". Em 2008, jornais russos chegaram a atribuir o crime mais uma vez à Alemanha de Hitler.

No entanto, nos últimos tempos a Rússia vem tentando dar alguns passos para confrontar seu passado. Isso se acelerou depois do acidente que matou o presidente Lech Kaczynski e outras 95 pessoas a caminho de uma cerimônia de homenagem aos mortos em Katyn, mas algumas iniciativas já haviam sido tomadas. A própria cerimônia que participaria Kaczynski era uma. Outra foi a exibição do filme Katyn, do diretor polonês Andrzej Wajdas, pela primeira vez na televisão russa. Além disso, Medvedev participou pessoalmente o funeral do presidente, onde recebeu o pedido do cardeal Stanislaw Dziwisz para resolver a dificuldade história dos dois países.

Redação Terra
  1. Documentos originais sobre o massacre de Katyn foram divulgados pelo Arquivo Federal da Rússia

    Reuters
    Foto: Reuters

  2. Imagem exibe lista de documentos contidos no arquivo N1 sobre os prisioneiros poloneses

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  3. Imagem mostra primeira página de relatório enviado pelo chefe de polícia da KGB, Alexander Shelepin, para o então chefe do partido comunista Nikita Krushev

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    Foto: Reuters

  4. Imagem exibe página do relatório sobre prisioneios poloneses enviado pelo chefe de segurança e do serviço secreto soviético, Lavrenty Beria, a Stálin

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  5. Imagem exibe continuação de relatório enviado por Alexander Shelepin a Krushev

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