Bush já anunciou uma proposta para regularizar a situação de entre 8 e 10 milhões de estrangeiros, que receberiam vistos de seis anos como parte de um programa para "hóspedes trabalhadores". Mas a proposta pode esbarrar no sentimento antiimigração, não só dentro do seu partido como na população em geral, segundo membros dessa corrente.
"A opinião pública está inquestionavelmente do nosso lado", disse Paul Egan, da Federação para a Reforma da Imigração Americana, entidade de Washington que tenta limitar a migração legal para o país e restringir o acesso às fronteiras.
"Os norte-americanos estão dizendo 'não' ao programa de hóspedes trabalhadores e 'não' à anistia para imigrantes ilegais. Os legisladores estão começando a receber o recado de que as pessoas estão fartas da imigração ilegal", acrescentou Egan.
Liderados pelo deputado James Sensenbrenner, presidente da Comissão do Judiciário da Câmara, os conservadores recentemente desafiaram a Casa Branca ao insistirem que a proposta de reforma dos serviços de inteligência dos EUA contivesse artigos contra estrangeiros. Eles querem impedir imigrantes clandestinos de obter carteiras de motorista e suspender a atual política que reconhece documentos de identidade expedidos por embaixadas latino-americanas.
Três parlamentares também pretendem impedir a implementação de um recente acordo com o México, que permite a combinação de tempos de trabalho nos dois países para efeitos de aposentadoria. Os EUA já têm acordos similares com 20 outros países. Após ser submetido ao Congresso, o acordo com o México tem 60 dias para ser ratificado, ou do contrário perde a validade.
Na legislatura que está chegando ao final, 72 parlamentares participam de um grupo liderado pelo republicano Tom Tancredo que defende a repressão a estrangeiros irregulares e a restrição da imigração. "O sentimento mudou dramaticamente a nosso favor nos últimos anos e ainda mais nos últimos meses", disse Tancredo. "Agora temos uma maioria significativa na nossa conferência republicana e mais de 175 membros da Câmara bastante comprometidos".
Angela Kelley, do Fórum Nacional da Imigração, favorável aos imigrantes, disse que Tancredo está exagerando o apoio que tem, mas admitiu que provavelmente um terço da Câmara está de acordo com ele.
O deputado disse que a proposta de imigração de Bush terá um caminho "muito duro" no Congresso, mas pode ser aprovada se o presidente dispuser de capital político.
O especialista em leis de imigração Victor Romero, da Universidade Estadual da Pensilvânia, acha que os Estados Unidos podem estar entrando em uma de suas típicas fases antiimigratórias. "A história nos diz que isso é cíclico e podemos estar vendo a chegada de um ciclo que sugere um humor mais antiimigração", afirmou.
Romero e outros estão preocupados com alguns relatos vindos de todo o país, inclusive de lugares liberais, como Nova York, Califórnia e Virgínia, de que há cidadãos se manifestando hostilmente contra trabalhadores hispânicos, muitos dos quais estão ilegalmente no país.
Algumas pesquisas mostram que muitos norte-americanos gostariam que houvesse menos imigrantes. Em um levantamento feito em janeiro pela rede CBS e o jornal The New York Times, só 16% disseram que deveria haver mais estrangeiros, 33% afirmaram que a imigração deveria permanecer como está e 45% disseram que deveria haver restrições.

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