Acompanhado da sua mulher, Cecilia Morel (esq.), Sebastián Piñera acena durante cerimônia de posse em Valparaíso
Foto: AFP
O presidente do Chile, Sebastián Piñera, convocou a população para reconstruir o país "pedra por pedra", após o terremoto que devastou o centro-sul chileno no final de fevereiro.
Em sua primeira mensagem como presidente, Piñera disse que "vamos reconstruir o Chile, todos juntos, pedra por pedra, tijolo por tijolo, e para isto precisamos de união e não de divisão, precisamos de generosidade e não de egoísmo", assinalou Piñera, em referência à devastação causada pelo terremoto e o tsunami que poucos minutos depois nessa quinta-feira a presidência do país em breve cerimônia marcada por novos tremores de terra e na presença de sete presidentes latino-americanos e muitos outros convidados.
Falando do balcão do Palácio Presidencial de La Moneda, ao lado da família, Piñera destacou que "apesar da dor e do sofrimento, e sem que isto signifique esquecer os entes queridos falecidos, teremos que secar nossas lágrimas e colocar mãos à obra". "De certa forma, todos somos sobreviventes desta tragédia".
"Há 20 anos nosso povo recuperou a democracia e a convivência saudável. Conseguimos isto com o apoio patriótico de todos, do mundo civil e do mundo militar". Com Piñera, a direita chilena volta ao poder pelas urnas após 50 anos, depois da vitória sobre a aliança de centro esquerda conhecida como La Concertación, que governou o país por 20 anos, desde a queda da ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990).
Pouco depois da cerimônia, Piñera viajou às zonas afetadas pelos abalos, e como primeira medida declarou o estado de catástrofe na região de O'Higgins, que nessa quinta-feira sofreu um novo abalo, de 6,9 graus. Também poucas horas após ter assumido a presidência em cerimônia realizada no Congresso Nacional, Piñera anunciou que seu governo vai entregar um bônus de US$ 80 para as famílias mais pobres. Esta ajuda, que deve ser aprovada pelo Parlamento e terá um custo de US$ 320 milhões, beneficiará as pessoas que recebem um subsídio único ou uma atribuição do programa "Chile Solidário", iniciado por sua antecessora, Michelle Bachelet.
A medida beneficiará 4,2 milhões de pessoas, e não está diretamente relacionada com o plano que o governo iniciará para ajudar a reconstrução após o terremoto, chamado de "Levantemos, Chile". O bônus pretende reduzir as despesas a que os chilenos devem ter em março, devido ao pagamento de diversos impostos e o início do ano letivo.
Instituições americanas calcularam que o terremoto e o tsunami ocorridos há duas semanas causarão ao país prejuízos que devem ficar entre US$ 15 bilhões e US$ 30 bilhões. Além disso, analistas consultados pela agência Efe calculam que o acidente natural terá um certo impacto no crescimento do país no ano, que passará de 5,4% a 5%.
Piñera, que durante a campanha prometeu criar um milhão de postos de trabalho e um ritmo de crescimento anual de 6%, reconheceu antes de assumir o poder que o governo deverá mudar suas prioridades para enfrentar as despesas derivadas da tragédia. Mas, enfatizou que não será "o presidente do terremoto, mas o presidente da reconstrução".
Mal terminou de pronunciar seu primeiro discurso como presidente e após breve cerimônia em homenagem às vítimas do tremor, Piñera se reuniu no Palácio de la Moneda com todos seus ministros para começar a preparar as primeiras medidas do gabinete.
Pouco antes, em seu primeiro discurso, pronunciado do balcão do palácio, Sebastián Piñera chamou seus compatriotas para "uma nova transição para construir um país desenvolvido, sem pobreza e com verdadeiras oportunidades de igualdade, qualquer que seja o berço". Após reconhecer que assume o poder "em um momento histórico e também dramático", o novo líder lembrou o exemplo dado pelos "heróis anônimos do Bicentenário", em referência às pessoas que durante a recente tragédia deram um exemplo de coragem, que salvou vidas.
"Nosso país cresceu na adversidade. Nada nos foi dado, tudo foi conquistado com coragem, esforço e muita vontade. Temos a certeza de que vamos superar estes tempos de adversidade", enfatizou. Sobre a longa mesa de reuniões, além da extensa documentação entregue pelo Executivo anterior, havia 22 capacetes de obras, como símbolo do compromisso assumido pelas novas autoridades de fazer andar os trabalhos de reconstrução andarem o mais rápido possível.
Com informações da AFP e EFE.
- Redação Terra

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