Henrique Antonio Vares e Cristina Parede caminham de mãos dadas pelo pátio do Palácio La Moneda
Foto: Francisco de Assis/Especial para Terra
- Francisco de Assis
- Direto de Santiago
Doze dias depois do terremoto que devastou regiões do país, o Chile empossou nesta quinta-feira o seu novo presidente. O bilionário conservador Sebastián Piñera, 60 anos, assume o executivo com a missão de reconstruir a nação. O trabalho é difícil, mas o líder da nação mais desenvolvida da América Latina deve contar com o apoio da população.
"É muito importante o respeito pelo país. Cada um de nós tem o seu papel dentro do Chile. Não importa quem esteja no governo. O presidente da república é um líder do povo, escolhido por todos através de um ato democrático", afirma o assistente jurídico Henrique Antonio Vares, 24 anos.
Abraçado com a mulher, Cristina Parede, ele caminha pelo pátio do Palácio de La Moneda, sede da presidência da república, e se mostra emocionado. "Todos estamos sensibilizados com tudo o que passamos nos últimos dias. O país inteiro sentiu o terremoto e isso nos deixa mais unidos para nos recuperarmos de tudo", disse.
Em meio às perdas, o casal tem um motivo a mais para comemorar. Cristina está grávida de quatro meses. Josefa Parede não tem consciência de tudo o que acontece ao seu redor. Mas será uma entre tantas outras vidas que irão nascer em mais um momento de superação no Chile.
A poucos metros dali, dentro do Palácio de La Moneda, Salvador Allende morreu em 11 de setembro de 1973, durante o golpe de Augusto Pinochet. Desde o período de redemocratização, os chilenos não sentiam de perto uma atuação tão efetiva das Forças Armadas nas ruas.
O terremoto do último dia 27 de fevereiro colocou os militares nas ruas. "Foi preciso o Exército para que diminuíssem saques e ações de delinquentes. Todos devem trabalhar juntos com o mesmo ideal. Cada um tem a sua função dentro do país", diz a promotora de vendas, Maricel Rojas, 19 anos.
Com Piñera, a expectativa é de que o Chile siga a crescer. "Bachelet fez um bom governo. Poderia ser melhor. Sempre queremos mais. Mas, ao invés de criticar ou se mostrar a favor de um ou de outro presidente, temos a esperança de que Sebastián Piñera seja melhor", diz a vendedora Sandra Rentanal, 30 anos.
Patriotismo
Nas ruas de Santiago, o que se observa é clima de patriotismo. No Centro, as bandeiras do Chile tremulam em cada esquina. Nos shoppings, as flâmulas dão as boas-vindas aos clientes. É impossível deixar de notar a predominância do branco, azul e vermelho nas ruas da capital.
"Ainda não posso votar, tenho apenas 16 anos. Mas isso não me impede de demonstrar o amor que tenho pelo Chile", diz a estudante Jasmi Arara, entre duas bandeiras chilenas. "Tenho muita vontade de votar", diz o também estudante Carlos Novoa, 16 anos.
Em um momento tão importante para o país, Cristian Lanes resolveu ir além. Para demonstrar o amor que tem pela nação, colocou uma bandeira do Chile em sua caixa de engraxate. "Não importa se você é rico ou pobre. É o mesmo país para todos. Quanto mais melhorarmos o Chile, melhor será".
O nacionalismo toma conta também de uma tradicional cafeteria aberta no na década de 1960 próxima à Praça das Armas. O estabelecimento ganhou notoriedade pela sensualidade das garçonetes e pelo alto padrão de qualidade.
Por trás dos belos corpos das atendentes também está a certeza de que o Chile caminha pela direção correta. "Estou feliz com o momento político que vivemos. As coisas estão melhorando. Sentimos isso no nosso dia a dia e escutamos isso também dos clientes de outros países", afirma Gloria Molin, 31 anos.
Entre um e outro café, a também garçonete Paula Trancoso mostra seu patriotismo. "O Chile é o meu país. Apesar de tudo o que aconteceu nos últimos dias, amo essa terra. Aqui é o meu lugar. Sempre vou lutar para que o Chile cresça. É o mínimo que o povo chileno tem que fazer".
- Especial para Terra









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