A poucos dias de lembrar o sexto aniversário dos atentados que deixaram 191 mortos em várias estações de trens em Madri, a Espanha criou o "Arquivo do Luto" com 70 mil documentos relacionados aos ataques de 11 de março de 2004.
O Conselho Superior de Investigações Científicas reuniu documentos que incluem e-mails, fotografias, gravações de áudio e vídeo com amostras da dor vivida depois dos ataques contra quatro trens na capital espanhola.
"O arquivo oferece à sociedade a oportunidade de conservar exemplos individuais e coletivos de manifestações de luto depositadas nos altares espontâneos", disse a responsável pela construção do arquivo, Pilar Martínez Olmo.
O projeto, que também traz gravações e fotografias realizadas por profissionais e voluntários, pretende conservar na memória histórica as razões que levaram os cidadãos a realizar tais ações.
"As pessoas não apenas depositam oferendas em memória aos mortos, como seus atos trazem um pedido implícito de ação: não querem apenas celebrar ou protestar, mas pedem uma resposta, uma mudança social", destacou em comunicado a coordenadora do projeto, Cristina Sánchez-Carretero.
A Justiça espanhola condenou a milhares de anos de prisão três dos 28 acusados pelos piores atentados ligados à Al Qaeda na Europa.
A compilação do arquivo também estimulou a produção de um livro, no qual se comparam essas manifestações em outros casos, como os atentados do 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos e o assassinato do juiz Giovanni Falcone na Itália, em maio de 1992.
A coleção será depositada no Arquivo Histórico Ferroviário da Fundação Ferroviária da Espanha, onde será disponibilizado para fins educativos e de pesquisa.

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