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 Doações brasileiras ao Haiti chegam a 1000 t, diz governo
03 de fevereiro de 2010 13h40

A catedral de Porto Príncipe está entre uma dos patrimônios culturais do Haiti destruídos pelo terremoto. Foto: Getty Images

A catedral de Porto Príncipe está entre uma dos patrimônios culturais do Haiti destruídos pelo terremoto
Foto: Getty Images

Laryssa Borges
Direto de Brasília

As doações brasileiras de alimentos, medicamentos e água potável para a população do Haiti, devastada após um forte terremoto no dia 12 de janeiro, já chegam à casa das mil toneladas, informou o subchefe do Comando e do Controle do Estado-Maior de Defesa, Paulo Zuccaro. As doações são resultado do uso de estoques públicos do governo e do recolhimento de alimentos e água em postos da Defesa Civil, supermercados e em entidades privadas.

De acordo com o governo, até o momento, já foram feitos 60 voos de aeronaves da Força Aérea Brasileira (FAB) para o Haiti, em uma média de três por dia, além de entregues 56 t de água potável, 220 t de alimentos e 225 t de medicamentos.

"Estamos aceitando doações e processando doações de todos os interessados. No setor privado isso envolve empresas e associações. Se considerar todo o pacote de ajuda humanitária, estamos chegando na casa das mil toneladas", disse o militar, garantindo que toda a oferta de ajuda do Brasil recolhida a partir de iniciativas individuais será enviada ao povo haitiano.

"O fato de sua doação não ter chegado ao Haiti não significa que não vai ser processada. Estamos priorizando o que as pessoas estão oferecendo aqui (para decidir a ordem de envio). Tudo que foi doado vai chegar. Vamos colocar cada doação lá no momento oportuno", afirmou, resumindo o papel brasileiro no processo de reconstrução do Haiti: "não fomos lá para uma corrida de 100 m rasos. Fomos lá para correr uma maratona".

"A gente quer aproveitar agora que a opinião pública internacional está mobilizada e chamar a atenção para que mais recursos possam vir. Que realmente a gente aproveite essa oportunidade. No caso do terremoto, a única coisa que tem de boa nisso é chamar atenção internacional para ajudar na reconstrução", disse o embaixador Antônio Simões, responsável pela América Latina, América do Sul, Central e Caribe.

Terremoto
Um terremoto de magnitude 7 na escala Richter atingiu o Haiti no último dia 12, às 16h53 no horário local (19h53 em Brasília). Com epicentro a 15 km da capital, Porto Príncipe, segundo o Serviço Geológico Norte-Americano, o terremoto é considerado pelo órgão o mais forte a atingir o país nos últimos 200 anos.

Dezenas de prédios da capital caíram e deixaram moradores sob escombros. Importantes edificações foram atingidas, como prédios das Nações Unidas e do governo do país. Estimativas mais recentes do governo haitiano falam em mais de 200 mil mortos e 75 mil corpos já enterrados. O Haiti é o país mais pobre do continente americano.

Morte de brasileiros
A fundadora e coordenadora internacional da Pastoral da Criança, Organismo de Ação Social da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Zilda Arns, o diplomata Luiz Carlos da Costa, segunda maior autoridade civil da Organização das Nações Unidas (ONU) no Haiti, o tenente da Polícia Militar do Distrito Federal Cleiton Batista Neiva, e pelo menos 18 militares brasileiros da missão de paz da ONU morreram durante o terremoto. Também foi confirmada a morte de uma brasileira com dupla nacionalidade, cuja identidade não foi divulgada.

O Brasil no Haiti
O Brasil chefia a missão de paz da ONU no país (Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti, ou Minustah, na sigla em francês), que conta com cerca de 7 mil integrantes. Segundo o Ministério da Defesa, 1.266 militares brasileiros servem na força. Ao todo, são 1.310 brasileiros no Haiti.

A missão de paz foi criada em 2004, depois que o então presidente Jean-Bertrand Aristide foi deposto durante uma rebelião. Além do prédio da ONU, o prédio da Embaixada Brasileira em Porto Príncipe também ficou danificado, mas segundo o governo, não há vítimas entre os funcionários brasileiros.

Redação Terra
  1. Multidão disputa espaço para receber doação de alimentos

    Reuters
    Foto: Reuters

  2. Crianças choram enquanto são pressionadas por multidão, em Porto Príncipe

    Reuters
    Foto: Reuters

  3. Os haitianos romperam uma barreira de proteção para ter acesso aos alimentos

    Reuters
    Foto: Reuters

  4. Multidão se reúne em volta de caminhão com donativos

    Reuters
    Foto: Reuters

  5. Após receberem o alimento, algumas pessoas deixaram o local com medo

    Reuters
    Foto: Reuters

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