A situação no Haiti em termos de segurança é tensa, mas está sob controle, informou nesta sexta-feira um porta-voz da Agência de Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) da ONU.
No entanto, algumas equipes de socorro informaram sobre as ameaças e saques de seu material no Haiti.
"Essa gente nao come ou bebe nada há quase 50 horas. Se veem um caminhão abandonado ou um supermercado desabado, correm para ver se conseguem algo para comer", explicou Elisabeth Byrs, repassando informações da Missão das Nações Unidas de Estabilização no Haiti (Minustah), encarregada da segurança no país devastado pelo terremoto.
"No geral, as pessoas agem de maneira muito digna e calma. Pode ser que aconteçam alguns saques, mas, até agora, as tropas da Minustah, pelo que sabemos, estão conseguindo manter a ordem", afirmouk, por sua parte, a diretora de comunicação da ONU em Genebra, Corinne Momal-Vanian.
Terremoto
Um terremoto de magnitude 7 na escala Richter atingiu o Haiti nessa terça-feira, às 16h53 no horário local (19h53 em Brasília). Com epicentro a 15 km da capital, Porto Príncipe, segundo o Serviço Geológico Norte-Americano, o terremoto é considerado pelo órgão o mais forte a atingir o país nos últimos 200 anos.
Haitianos desesperados bloquearam as ruas com barricadas feitos com os corpos em uma parte de Porto Príncipe para exigir assistência mais rápida após o desastre. Corpos estavam espalhados por toda a cidade, e pessoas cobriam o nariz com panos para evitar o odor da morte. Cadáveres eram carregados em caminhonetes e entregues ao hospital central de Porto Príncipe.
Morte de brasileiros
A fundadora e coordenadora internacional da Pastoral da Criança, Organismo de Ação Social da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Zilda Arns, e militares brasileiros da missão de paz da ONU morreram durante o terremoto no Haiti.
O ministério das Relações Exteriores do Brasil anunciou que o país enviará até US$ 15 milhões para ajudar a reconstruir o Haiti após o terremoto que devastou o país nesta terça-feira. Além dos recursos financeiros, o Brasil doará 28 t de alimentos e água para a população do país. A Força Aérea Brasileira (FAB) disponibilizou oito aeronaves de transporte para ajudar as vítimas.
O Brasil no Haiti
O Brasil chefia a missão de paz da ONU no país (Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti, ou Minustah, na sigla em francês), que conta com cerca de 7 mil integrantes. Segundo o Ministério da Defesa, 1.266 militares brasileiros servem na força. Ao todo, são 1.310 brasileiros no Haiti.
A missão de paz foi criada em 2004, depois que o então presidente Jean-Bertrand Aristide foi deposto durante uma rebelião. Além do prédio da ONU, o prédio da Embaixada Brasileira em Porto Príncipe também ficou danificado, mas segundo o governo, não há vítimas entre os funcionários brasileiros.

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Foto: Reuters 














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