Em uma cadeira de rodas, John Demjanjuk é amparado por policiais ao chegar na corte de Munique
Foto: Reuters
A abertura do julgamento de John Demjanjuk, 89 anos, de origem ucraniana, acusado de cumplicidade no extermínio de 27,9 mil judeus no campo de extermínio de Sobibór, na Polônia, durante a Segunda Guerra Mundial, foi adiada devido a problemas na entrada do público ao tribunal de Munique.
O julgamento deveria começar às 10h no horário local, mas um grande número de pessoas continuava entrando na sala do tribunal no momento do início da sessão. A sala de audiência tem capacidade para 150 pessoas, e portanto não comporta as centenas de sobreviventes do Holocausto e seus familiares, além de jornalistas, que compareceram ao tribunal.
Último julgamento
Demjanjuk, que foi guarda voluntário da SS, responde por acusações feitas pela Promotoria de Munique, apoiadas por testemunhos de sobreviventes e 30 familiares das vítimas. Será um julgamento por indícios, já que quase não há mais testemunhas do ocorrido nos seis meses em que Demjanjuk supostamente atuou como Trawniki (guarda voluntário) em Sobibór.
Trata-se do último grande processo na Alemanha por delitos do nazismo, devido à avançada idade dos criminosos, além de ser também o primeiro julgamento de um estrangeiro no país. A principal prova contra ele é um carteira de identidade das SS com o número 1393, segundo a qual prestou serviços no campo e durante o período em que morreram 27,9 mil judeus.
Demjanjuk, que nasceu em Dobowoije (Ucrânia) em 1920, nega ter trabalhado como guarda voluntário e foi recrutado pelo Exército Vermelho para lutar contra as tropas de Hitler, mas, em 1942, foi capturado pelas SS. Segundo a acusação, foi treinado até se tornar um dos 150 Trawniki do campo.

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