Michaele Salahi e Tareq (dir) cumprimentam Obama durante o jantar
Foto: AP
Enquanto funcionários da Casa Branca defendem-se de novas perguntas sobre o casal sedento de fama que conseguiu entrar no reluzente jantar de Estado na semana passada, os próprios aspirantes a estrelas de reality show começaram a tentar vender sua história por centenas de milhares de dólares.
Executivos da indústria televisiva disseram no sábado que Michaele e Tareq Salahi tinham adiado os planos para uma entrevista na segunda-feira no programa Larry King Live, na CNN, e estavam procurando ofertas graúdas para sua primeira entrevista na televisão.
Os Salahi, que envergonharam o Serviço Secreto ao passar por suas revistas de segurança como se fossem invisíveis, e depois posaram para as câmeras com o presidente Barack Obama e muitos de seus convidados genuínos numa festa em homenagem ao primeiro-ministro indiano, não foram vistos no sábado e sua porta-voz não retornou ligações. O Serviço Secreto não comentou nem disse se os investigadores tinham entrevistado o casal.
Por anos, os Salahi divulgaram suas próprias aventuras no cenário social de Washington e de sua remota região rural. Eles deixaram um recorde de processos e contas sem pagar, muitas devido à falência da vinícola da família, após um extenso litígio entre Tareq Salahi e seus pais.
Até mesmo o salão de beleza luxuoso onde Michaele Salahi, com as câmeras de TV ao lado, se preparou para o grande evento, nunca foi pago por seus serviços anteriores em 2002, quando os dois se casaram, disseram em entrevistas os funcionários do salão.
Enquanto as perguntas continuaram a girar em torno da aparição mais marcante do casal até hoje, um executivo de uma rede de televisão, que falou em condição de anonimato pois sua emissora não comenta publicamente sobre pagamentos, disse que o preço pedido pelos Salahi estava na casa das centenas de milhares de dólares. "Eles estão pedindo as melhores ofertas de todas as emissoras", disse o executivo. Em alguns casos, os programas secretamente pagam taxas altas por fotografias e vídeos para assegurar entrevistas.
Separadamente, um porta-voz da CNN confirmou que a aparição no programa de Larry King foi adiada na sexta-feira. Enquanto isso, vários convidados que entraram na Casa Branca pelo mesmo local que os Salahi disseram que o processo normal de checagem na entrada, conduzido pelo Serviço Secreto e já conhecido por muitos deles, havia sido irregular.
Eles disseram que os guardas do Serviço Secreto não direcionaram os visitantes à guarita com detector de metal e leitores de raio-X, localizada dentro da entrada leste. Em vez disso, depois de os guardas olharem as identidades no escuro, os convidados esperaram em meio à garoa fria do lado de fora do pórtico da Asa Leste. Depois, foram conduzidos a um detector de metal portátil, mas nada de raio-X para checar outros pertences.
Os Salahi não eram celebridades nacionais, mas cultivavam de forma persistente uma imagem de socialites bem conectados de Washington. Michaele Salahi se gabou de seu trabalho para poderosas instituições de caridade, e está sendo considerada para ocupar um holofote maior, no elenco do programa The Real Housewives of D.C., na Bravo. Tareq Salahi, nascido em Washington, era executivo chefe da Oasis Winery, uma vinícola falida na Virgínia, fundada por seu pai em 1970. Jogador de pólo, Salahi também fundou a America's Polo Cup, uma partida internacional anual que acontece em Washington. A vinícola doava de forma generosa à fundação do centro cultural Wolf Trap, de cuja diretoria ele fez parte durante alguns anos. (Tradicionalmente, a primeira-dama é a patrona simbólica da fundação.)
A família colocou a vinícola à venda em 2007, mas Salahi entrou em uma briga por controle com seus pais, Dirgham e Corinne Salahi. A vinícola pediu falência em fevereiro.
Ainda assim, os Salahi moviam-se pela elite social de Washington como privilegiados, apesar de seu negócio estar falido e de eles terem deixado contas pessoais sem pagamento.
Para seu casamento, Michaele Salahi acumulou uma conta de milhares de dólares fazendo cabelo e maquiagem no Salão Erwin Gomez, um estabelecimento exclusivo em Georgetown que diz ter ajudado a preparar membros da família Obama no dia da posse. Mas James Packard-Gomez, diretor criativo do salão, disse em entrevista no sábado que, apesar de nunca ter pagado a conta, Michaele continuava a marcar horários, e o salão continuava a atendê-la.
De fato, o salão passou sete horas arrumando Michaele para o jantar de Estado na terça-feira, enquanto uma equipe de câmeras da produtora local da emissora Bravo registrava os preparativos.
"Ela sempre ligava e queria vir, mas sempre esperava que Erwin desse cortesias a ela", disse Packard-Gomes, referindo-se a seu sócio no salão. Packard-Gomes disse que Michaele Salahi ligou para ele apenas 20 horas antes do jantar de Estado para marcar um horário. Ele largou tudo, disse, e ajudou até mesmo a arranjar o agora famoso sári vermelho de Salahi. Ela mencionou que tinha perguntado à Casa Branca se era um traje apropriado. Mas quando ele pediu para ver o convite, ficou surpreso de ela não poder mostrá-lo.
"Meus clientes quase sempre me mostram o convite quando se trata da festa mais badalada da cidada", disse Packard-Gomez. "Conheço muitos clientes na lista de celebridades que não foram convidados. Então por que ela teria sido?"
O Serviço Secreto, que disse que o casal não deveria ter entrado, reconheceu que os funcionários do portão leste da Casa Branca "não seguiram os procedimentos corretos" para confirmar se os Salahi estavam na lista de convidados.
No sábado, nem os funcionários da Casa Branca nem o Serviço Secreto disseram por que os convidados foram filtrados no escuro, num local onde era difícil até mesmo ler os nomes nas carteiras de motorista, nem por que os guardas não tinham examinado pertences da forma como é comum mesmo em prédios federais menos importantes e em museus.
Edwin M. Donovan, agente especial responsável pelo Serviço Secreto, disse que não podia dar mais detalhes sobre os procedimentos de segurança que foram usados, ou deveriam ter sido usados, no jantar de Estado na terça-feira à noite.
Mas Donovan disse: "os procedimentos não mudam de acordo com o evento que está acontecendo". O Serviço Secreto pediu desculpas publicamente na sexta-feira pela falha na segurança e Donovan espera fornecer uma explicação mais completa sobre o que deu errado "nos próximos dias".
Tradução: Amy Traduções

- The New York Times




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