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 AI adverte sobre tensão diante de eleições em Honduras
28 de novembro de 2009 02h39 atualizado às 04h33

A Anistia Internacional (AI) advertiu neste sábado que Honduras se encontra em uma situação de "tensão" e "incerteza" perante o pleito do próximo domingo e denunciou que as autoridades armazenaram milhares de granadas de gás lacrimogêneo.

"Existe um perceptível medo diante do que pode acontecer no domingo", disse Javier Zuñiga, chefe de uma missão da ONG que chegou esta semana a Tegucigalpa. O ativista indicou que o organismo tem informação de que o governo de Roberto Micheletti adquiriu recentemente "10 mil granadas de gás lacrimogêneo e 5 mil projéteis para as mesmas".

A Anistia Internacional também foi informada da recente aquisição de um tanque de água pressurizada. A organização teme que todo este material possa ser utilizado nos próximos dias. Zuñiga lembrou que há poucos meses o uso de gás lacrimogêneo provocou a morte de uma pessoa, que sofria de asma, em Tegucigalpa.

"Não sabemos o que vai acontecer, de fato ninguém sabe que pode acontecer antes, no dia e depois das eleições", disse o chefe da missão, que estará até o próximo dia 4 em Tegucigalpa realizando um "inventário dos afetados pelo golpe" e recopilando informação sobre as eleições.

A AI garantiu existe um grande número de rumores sobre ameaças, tanto para votar quanto para não votar. Segundo o órgão, o temor de incidentes pode indicar um alto nível de abstenção. Além disso, segundo Zuñiga, há uma "repressão de baixa intensidade" contra membros de um movimento de resistÊncia ao golpe de Estado. O órgão soube de uma carta de uma autoridade militar, pedindo a um prefeito que facilite uma lista de nomes e telefones de seguidores do deposto presidente, Manuel Zelaya.

A Anistia evitou pronunciar-se sobre as eleições do domingo, amplamente rechaçadas pela comunidade internacional, mas censurou a forma como o Tribunal Supremo Eleitoral hondurenho pretende empregar políticos e empresários convidados como observadores, perante a ausência dos analistas dos organismos internacionais. "O trabalho dos observadores é muito técnico, muito qualificado e com um grande desdobramento de meios, o que querem fazer aqui não tem nada a ver com isso", disse.

Desde o golpe de Estado, em 28 de junho, morreram entre 20 e 30 pessoas, mas há conhecimento do número de feridos e de detidos por delitos de consciência, porque as autoridades golpistas não têm um registro desses casos. "O que temos são dados de organismos de direitos humanos, o governo não tem números, o que implica que não tem vontade política para ser transparente com o que está sucedendo", disse.

EFE
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