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 ONG critica 'cultura da impunidade' nas Filipinas após massacre
24 de novembro de 2009 23h58 atualizado em 25 de novembro de 2009 às 02h46

A organização não-governamental defensora dos direitos humanos Human Rights Watch(HRW), afirmou nesta quarta-feira que o massacre de 46 pessoas por uma disputa entre clãs rivais no sul das Filipinas é uma amostra mais da "cultura de impunidade" que prevalece no país desde que em 2001 tomou o comando a presidente, Gloria Macapagal Arroyo.

A organização exigiu uma investigação independente dos fatos antes que comece a campanha para as eleições legislativas do próximo ano, considerado outro dos motivos da tragédia. "Muitas pessoas morreram já nas Filipinas enquanto Arroyo ficou de braços cruzados", assinalou a subdiretora da HRW na Ásia, Elaine Pearson, quem denunciou a possível implicação no massacre de membros das forças de segurança.

Nas últimas horas, o achado de duas valas comuns duplicou o número de mortos após o assalto a uma caravana eleitoral na província de Maguindanao, onde o governo declarou estado de exceção. Cem homens armados seqüestraram na segunda-feira de manhã cerca de 50 civis que iam apresentar a candidatura a governador provincial de Ismail Mangudadatu, que quer disputar o posto contra Andal Ampatuan, um poderoso chefe tribal muçulmano, temido em todo o sul da ilha de Mindanao.

Os pistoleiros fugiram em direção às montanhas e pouco depois os militares que saíram em sua perseguição começaram a encontrar os cadáveres, vários decapitados ou mutilados. Alguns dos corpos de mulheres apresentavam sinais de violência sexual e entre os mortos figuram vários advogados de direitos humanos, jornalistas locais e a mulher e duas irmãs de Mangudadatu.

A organização também expressou sua preocupação pela relação pessoal da presidente filipina com os Ampatuan, apoio que lhe rendeu uma arrasadora vitória em Maguindanao no pleito de 2004. Mais de 900 pessoas foram assassinadas por motivos políticos nas Filipinas desde que Arroyo chegou ao poder em 2001, segundo o grupo direitos humanos local Karapatan, que atribui a maioria dos casos à guerra suja que lideram as forças de segurança contra os rebeldes comunistas.

EFE
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