O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, disse nesta terça que os Estados Unidos cometeram um "crime contra a democracia" ao mudar sua posição em relação ao golpe de Estado que o tirou do poder e afirmou que EUA e Panamá podem ser "punidos" por violar a Carta Democrática Interamericana.
"Quando o Departamento de Estado (dos EUA) disse que a prioridade já não era minha restituição, mas as eleições, cometeu um crime contra a democracia", disse Zelaya à por telefone a partir da Embaixada do Brasil em Tegucigalpa, onde está refugiado desde 21 de setembro. "EUA e Panamá podem ser punidos pela OEA (Organização dos Estados Americanos) nos próximos dias, podem ser punidos também pela ONU, por violar a Carta Democrática Interamericana, por desacatar as resoluções da OEA, das Nações Unidas, o espírito do plano Arias e o espírito do Acordo Tegucigalpa-San José", afirmou.
Estados Unidos e Panamá expressaram seu apoio às eleições do próximo domingo em Honduras. O resto da comunidade internacional ameaça não reconhecer os resultados do pleito caso Zelaya, derrubado em 28 de junho, não seja restituído no poder. Zelaya insistiu em questionar a "ambiguidade" dos EUA diante da crise hondurenha.
Ontem, o secretário de Estado adjunto americano para o Hemisfério Ocidental, Arturo Valenzuela, disse na OEA que as eleições em Honduras são "necessárias", mas "não são suficientes para restaurar a ordem democrática". "Ou as eleições são legítimas ou não são legítimas, mas não podem ser meio legais", disse o governante deposto hondurenho.
"Me reconhecem como presidente, mas estão atendendo as ordens de (Roberto) Micheletti, e isso destrói a Carta Democrática. As eleições têm vícios de origem, sem observadores da OEA e das Nações Unidas, existe a imensa possibilidade de fraude eleitoral", declarou Zelaya, que é favorável ao cancelamento do pleito.

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