A escolha nesta quinta-feira do belga Herman Van Rompuy como presidente do Conselho Europeu por dois anos e meio - prorrogáveis a cinco - e da britânica Catherine Ashton para o posto de alta representante de assuntos exteriores, por cinco anos, encerra a última incógnita sobre a nova estrutura institucional do bloco.
Os líderes europeus prometeram se voltar, a partir de agora, a tentar reanimar a economia, duramente castigada pela crise, e em influir com todo seu peso na solução de desafios mundiais, como a luta contra a mudança climática e a reforma da estrutura financeira internacional.
"Temos a responsabilidade de desempenhar um papel importante no mundo. Este mundo não tem futuro sem a maior parte de nossos valores", declarou Van Rompuy logo após ser eleito.
Grande parte da imprensa internacional concordou hoje em criticar, com maior ou menor dureza, a "inexperiência" das duas pessoas designadas pelos líderes comunitários para elevar a visibilidade da Europa e representá-los diante de Washington, Moscou ou Pequim.
Ashton afirmou hoje que, com o tempo, demonstrará que é "a melhor pessoa" para ocupar o posto.
Em declarações à BBC, a até agora comissária de Comércio da UE assegurou que os líderes europeus se sentem "cômodos" com sua nomeação, e rebateu as críticas.
"Nos próximos meses e anos, minha intenção é demonstrar que sou a melhor pessoa para este trabalho. Há muitas pessoas que diriam que sou a melhor para o trabalho e que fui escolhida por quem sou", declarou a futura chefe da diplomacia europeia.
Em Berlim, a chanceler alemã, Angela Merkel, parecia confirmar a suspeita de que foram escolhidos os que menos incomodavam, ao afirmar que a busca de um consenso no bloco tinha sido a "razão arrasadora" de sua nomeação.
Angela Merkel e Nicolas Sarkozy, que apadrinharam Van Rompuy, pediram, no entanto, que se dê a ambos uma oportunidade.
O presidente francês chegou a prever que alguns "vão ter uma surpresa". Em referência ao primeiro-ministro belga, Sarkozy assegurou que pode ser, até, "uma das personalidades mais fortes" em torno da mesa do Conselho Europeu.
Van Rompuy, que começará no cargo em 1º de janeiro coincidindo com o começo da Presidência espanhola da UE, assegura que, aos 62 anos, não vai mudar a forma de ser, baseada na compreensão, no respeito ao adversário e "na discrição perante a imprensa".
Uma de suas primeiras tarefas, assim que ficar liberado de sua responsabilidade como primeiro-ministro belga, será entrar em contato com o presidente do Governo espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, para coordenar a divisão de papéis a partir de 1º de janeiro.
O Tratado de Lisboa não é claro sobre como, a partir dessas mudanças, ficará o papel do presidente semestral.
Van Rompuy também prometeu uma aproximação permanente com o presidente da Comissão Europeia, o português José Manuel Durão Barroso, que terá a responsabilidade de representar a Europa em todas os temas econômicos.
Após a cúpula, Barroso tem que se concentrar em compor sua nova equipe, agora que se conhece já quem ocupará a Vice-Presidência, que vem próxima ao novo cargo de alto representante para política externa e segurança.
Barroso afirmou que ainda são precisos alguns nomes sem os quais não poderá decidir sobre a divisão de funções.
Corresponde a cada Governo propor um candidato a comissário, em acordo com o presidente da comissão, que estabelece em última instância a estrutura de sua equipe e distribui as pastas.
Imediatamente, cada um dos comissários designados é "examinado" pelo comitê correspondente do Parlamento Europeu e o grupo em seu conjunto se submete a um voto de posse do plenário da Eurocâmara.
O Parlamento Europeu confirmou hoje que prepara as audiências individuais para as duas primeiras semanas de janeiro, enquanto a votação aconteceria no dia 20 desse mês.
Até então, a já chamada "Comissão Barroso I" seguirá trabalhando interina, mas Catherine Ashton - cujo cargo como alta representante é criado em 1º de dezembro - poderá começar a desempenhar seus novos trabalhos e substituir Javier Solana.

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