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 Exaltação a fim da "divisão europeia" marca homenagens em Berlim
09 de novembro de 2009 19h17 atualizado às 19h36

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As celebrações pelos 20 anos da queda do Muro de Berlim culminaram esta noite perante o Portão de Brandeburgo, onde os oradores lembraram que os protagonistas da revolução pacífica acabaram não só com a divisão alemã, mas também com a da Europa e do mundo.

A chanceler alemã, Angela Merkel, lembrou 9 de novembro de 1989 como o dia da "vitória da liberdade". Para ela, essa liberdade não deve ser contemplada como um bem "subentendido", mas como algo pelo que se deve lutar e defender a cada dia.

"Celebramos a coragem e a vontade inabalável de milhares de pessoas na RDA, mas também celebramos as transformações de nossos amigos no leste e no centro da Europa que prepararam a queda do muro", disse Merkel lembrando o sindicato Solidariedade (Polônia) e o movimento democrático na antiga Tchecoslováquia.

Discursos parecidos foram ouvidos dos presidentes russo, Dmitri Medvedev, e francês, Nicolas Sarkozy, do primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown, e do presidente americano, Barack Obama, que enviou uma mensagem de vídeo.

O ato contou também com os chefes de Estado e de Governo dos 27 países-membros da União Europeia e ex-líderes como o soviético Mikhail Gorbachov, o alemão Hans Dietrich Genscher e o ex-secretário de Estado americano Henry Kissinger.

Pouco depois, o ex-presidente polonês Lech Walesa derrubou, a partir de uma ponta, a primeira das mil peças de um colorido dominó gigante, cuja queda em cadeia simbolizou o fim do muro de Berlim há 20 anos.

Do outro lado, o fizeram o presidente da Comissão Europeia (órgão executivo da UE), José Manuel Durão Barroso, e o chefe do Parlamento Europeu, Jerzy Buzek. As peças foram sendo derrubadas até se encontrarem no Portão de Brandeburgo, onde a chanceler Merkel pôs no chão a última parte do dominó.

Os atos começaram com um breve concerto na Staatskapelle de Berlim, sob a batuta do maestro argentino-israelense Daniel Barenboim, que abriu a Festa da Liberdade com a introdução musical do "Lohengrin", de Richard Wagner, e incorporou ao programa como convidado surpresa o tenor espanhol Plácido Domingo.

Barenboim e Domingo romperam a solenidade das comemorações com o "Berliner Luft" (Ar berlinense), uma marcha popular de Paul Lincke cantada por dezenas de milhares de pessoas reunidas sob a chuva, para fechar assim a primeira parte musical da festa.

A peça de Wagner foi seguida por "A survivor from Warschaw", composta em 1947 nos EUA por Arnold Schoenberg em memória das vítimas do Holocausto.

Com a obra, Barenboim lembrou que hoje é também aniversário da Noite dos Vidros Quebrados, quando em 9 de novembro de 1938 centenas de sinagogas foram queimadas em toda a Alemanha e o nazismo iniciou a perseguição sistemática aos judeus.

A noite teve também a participação de artistas como Jon Bon Jovi, o grupo percussionista Stamping Feet, o DJ Paul van Dyck e o músico Christian Steinhaeuser.

O dia começou com uma missa ecumênica na igreja de Gethsemane, que teve a presença, entre outros, do presidente alemão, Horst Koehler, e de Merkel, que renderam homenagem às forças opositoras na extinta RDA que protagonizaram a revolução pacifica de 1989.

Situada no bairro no bairro Prenzlauer Berg, no leste de Berlim, a igreja de Gethsemane foi durante as semanas prévias à queda do muro ponto de encontro e reunião da dissidência e da oposição no leste da capital alemã.

Pouco depois, o prefeito de Berlim, Klaus Wowereit, visitou a Capela da Reconciliação junto ao antigo posto fronteiriço da rua Bernauer, onde foram acesas velas em memória dos que morreram tentando cruzar o muro.

No início da tarde, Merkel e cerca de 100 alemães, junto a Mikhail Gorbachov e Lech Walesa, reviveram o caminho percorrido 20 anos atrás para cruzar a primeira brecha aberta entre as duas Berlim no dia da queda do muro.

Essa passagem, na rua Bornholmer, entrou para a história coma a primeira que permitiu o trânsito livre, depois que o membro do Politburo da extinta RDA Guenter Schabowski leu, em 9 de novembro de 1989, o comunicado da República Democrática Alemã que abria as fronteiras.

Pouco depois e durante uma recepção no Palácio de Bellevue para todos os líderes convidados, o presidente Koehler lembrou a noite em que "o povo dançou sobre o Muro de Berlim e o mundo mudou".

EFE
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