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 Críticas ao capitalismo dominam cúpula de países muçulmanos
09 de novembro de 2009 15h35 atualizado às 15h50

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As críticas ao capitalismo ocidental lançadas pelo presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, dominaram nesta segunda-feira, em Istambul, a cúpula do Comitê para a Cooperação Econômica e Comercial (COMCEC) da Organização da Conferência Islâmica (OCI).

O presidente iraniano, que evitou falar sobre o polêmico programa nuclear de seu país, assegurou diante dos delegados de 60 países muçulmanos que o capitalismo deve ser substituído por outro sistema, por encontrar-se "em um beco sem saída".

Se os países muçulmanos "não conseguem ter um papel mais ativo na construção das relações do futuro, então outros o farão e elas serão impostas a nós baseadas em seus próprios interesses", advertiu o presidente iraniano, em referência ao passado colonial de muitos países muçulmanos.

Ahmadinejad, cujas declarações foram apoiadas publicamente por diferentes participantes da cúpula - na qual participaram 11 chefes de Estado, seis primeiros-ministros e 18 ministros-, propôs, além disso, um mercado comum dos países muçulmanos, que deveriam utilizar suas moedas nacionais no comércio, para escapar dos efeitos negativos do capitalismo global.

Já o presidente turco, Abdullah Gül, disse, em seu discurso, que "as nações muçulmanas devem trabalhar mais para informar o mundo sobre o conteúdo pacífico do Islã".

Ao mesmo tempo, Gül pediu aos Estados muçulmanos que assumam mais responsabilidades para solucionar os problemas do Oriente Médio, uma região onde o Governo turco tenta há meses melhorar as relações com seus países vizinhos, especialmente com Síria, Iraque e Irã.

A cúpula em Istambul esteve até o último momento marcada pela expectativa da possível participação do presidente sudanês, Omar Hassan Ahmad al-Bashir, acusado e procurado pela Justiça internacional por crimes de lesa-humanidade cometidos na região de Darfur, no Sudão.

O líder sudanês decidiu finalmente não ir ao encontro em Istambul "por razões domésticas", gerando grande alívio nas autoridades turcas e nos organizadores da cúpula.

O primeiro-ministro turco, o islamita moderado Recep Tayyip Erdogan, defendeu al-Bashir ontem à noite, ao comentar que não foi cometido um genocídio em Darfur, e afirmou que o ataque de Israel contra a Faixa de Gaza em dezembro de 2008 e janeiro deste ano foi muito pior.

O presidente sírio, Bashar al-Assad, utilizou a cúpula para repetir suas críticas a Israel pelo maus-tratos aos palestinos e por suas tentativas de transformar Jerusalém em uma cidade judia.

Assad destacou que se as negociações de paz fracassarem no Oriente Médio surgirão automaticamente movimentos de resistência, e pediu que os muçulmanos confiem em si próprios e não em outros.

"Os selvagens assassinatos de Gaza e o desinteresse mundial demonstraram que confiar em outros não leva a lugar algum. Não podemos esperar uma solução justa de outros. Não podemos conseguir nada se não confiarmos em nós mesmos e não defendemos nossos direitos", disse o presidente sírio.

Por sua parte, o presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, confirmado há poucos dias no cargo, após controvertidas eleições, destacou o subdesenvolvimento dos Estados muçulmanos.

"Oito dos dez países menos desenvolvidos do mundo são muçulmanos", lembrou Karzai, que anunciou o desejo de aproximar o Afeganistão dos demais países muçulmanos, principalmente o Irã.

"O Afeganistão tem interesse em manter relações fraternais com seus vizinhos", disse o presidente afegão.

"Chegou o momento de que o Afeganistão comece a ter uma vida em paz e com crescimento econômico", dircursou Karzai.

EFE
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