O presidente iraniano, que evitou falar sobre o polêmico programa nuclear de seu país, assegurou diante dos delegados de 60 países muçulmanos que o capitalismo deve ser substituído por outro sistema, por encontrar-se "em um beco sem saída".
Se os países muçulmanos "não conseguem ter um papel mais ativo na construção das relações do futuro, então outros o farão e elas serão impostas a nós baseadas em seus próprios interesses", advertiu o presidente iraniano, em referência ao passado colonial de muitos países muçulmanos.
Ahmadinejad, cujas declarações foram apoiadas publicamente por diferentes participantes da cúpula - na qual participaram 11 chefes de Estado, seis primeiros-ministros e 18 ministros-, propôs, além disso, um mercado comum dos países muçulmanos, que deveriam utilizar suas moedas nacionais no comércio, para escapar dos efeitos negativos do capitalismo global.
Já o presidente turco, Abdullah Gül, disse, em seu discurso, que "as nações muçulmanas devem trabalhar mais para informar o mundo sobre o conteúdo pacífico do Islã".
Ao mesmo tempo, Gül pediu aos Estados muçulmanos que assumam mais responsabilidades para solucionar os problemas do Oriente Médio, uma região onde o Governo turco tenta há meses melhorar as relações com seus países vizinhos, especialmente com Síria, Iraque e Irã.
A cúpula em Istambul esteve até o último momento marcada pela expectativa da possível participação do presidente sudanês, Omar Hassan Ahmad al-Bashir, acusado e procurado pela Justiça internacional por crimes de lesa-humanidade cometidos na região de Darfur, no Sudão.
O líder sudanês decidiu finalmente não ir ao encontro em Istambul "por razões domésticas", gerando grande alívio nas autoridades turcas e nos organizadores da cúpula.
O primeiro-ministro turco, o islamita moderado Recep Tayyip Erdogan, defendeu al-Bashir ontem à noite, ao comentar que não foi cometido um genocídio em Darfur, e afirmou que o ataque de Israel contra a Faixa de Gaza em dezembro de 2008 e janeiro deste ano foi muito pior.
O presidente sírio, Bashar al-Assad, utilizou a cúpula para repetir suas críticas a Israel pelo maus-tratos aos palestinos e por suas tentativas de transformar Jerusalém em uma cidade judia.
Assad destacou que se as negociações de paz fracassarem no Oriente Médio surgirão automaticamente movimentos de resistência, e pediu que os muçulmanos confiem em si próprios e não em outros.
"Os selvagens assassinatos de Gaza e o desinteresse mundial demonstraram que confiar em outros não leva a lugar algum. Não podemos esperar uma solução justa de outros. Não podemos conseguir nada se não confiarmos em nós mesmos e não defendemos nossos direitos", disse o presidente sírio.
Por sua parte, o presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, confirmado há poucos dias no cargo, após controvertidas eleições, destacou o subdesenvolvimento dos Estados muçulmanos.
"Oito dos dez países menos desenvolvidos do mundo são muçulmanos", lembrou Karzai, que anunciou o desejo de aproximar o Afeganistão dos demais países muçulmanos, principalmente o Irã.
"O Afeganistão tem interesse em manter relações fraternais com seus vizinhos", disse o presidente afegão.
"Chegou o momento de que o Afeganistão comece a ter uma vida em paz e com crescimento econômico", dircursou Karzai.




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