A ponte Bornholmer foi a primeira fronteira a ser abertura na noite do dia 9 de novembro de 1989
09 de novembro de 2009
Foto: AFP
Uma cerimônia na igreja de Gethsemane, em Berlim Oriental, marcou o início das comemorações pelos 20 anos da queda do Muro de Berlim, nesta segunda-feira, na Alemanha. A igreja foi um dos centros de protesto nos meses que antecederam à queda.
Ainda nesta segunda-feira, líderes mundiais farão uma caminhada simbólica pela primeira fronteira da Alemanha Oriental a ser aberta em 1989. A queda do muro levou ao colapso do poder comunista no Leste Europeu, à reunificação alemã e ao fim da Guerra Fria.
A Alemanha Oriental comunista ergueu o muro de concreto com 155 km de extensão em torno de Berlim Ocidental em 1961 para evitar que moradores do lado comunista fugissem para o reduto capitalista. Acredita-se que mais de cem pessoas tenham morrido tentando escapar pelo muro.
A chanceler alemã Angela Merkel, que cresceu na Alemanha Oriental, está à frente das comemorações desta segunda-feira. Entre os convidados internacionais, está o ex-líder soviético Mikhail Gorbachev, que vai acompanhá-la na caminhada sobre a ponte Bornholmer, que foi inesperadamente aberta depois de semanas de manifestações a favor da democracia.
Dominós
O presidente francês, Nicolas Sarkozy, o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, e a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, também participam das comemorações, junto ao ex-presidente polonês Lech Walesa - que liderou o sindicato Solidariedade contra o regime comunista - e o ex-premiê húngaro Miklos Nemeth, que com a decisão de abrir as fronteiras do país, foi o primeiro a permitir que alemães orientais fugissem para o Ocidente.
Os principais eventos do dia vão ocorrer no portão de Brandemburgo - o símbolo da reunificação alemã em 1990. Centenas de dominós gigantes feitos de espuma, pintados por jovens com mensagens de liberdade, foram alinhados na linha onde ficava o muro e serão derrubados às 20h (hora local, 17h em Brasília), representando como os governos comunistas da Europa do Leste foram caindo, um após o outro.
As festividades serão encerradas com um show de fogos de artifício e um show com músicos de vários países.
Falta de comunicação
Recentemente, o ex-funcionário do governo comunista da Alemanha Oriental Gunter Schabowski, cujo comentário casual de acabar com as restrições de viagem para a Alemanha Ocidental teria detonado a queda do muro, admitiu que houve uma falha de comunicação com o chefe do partido, Egon Krenz.
Schabowski anunciou o plano durante uma entrevista coletiva transmitida ao vivo pela TV, acrescentando que a medida entraria em vigor "imediatamente". Ele explicou à BBC que não sabia exatamente quando o muro seria aberto, mas que não fazia sentido anunciar a abertura e não abri-lo.
Schabowski disse que não se arrepende do comentário, porque ele levou à reunificação pacífica da Alemanha. Na véspera das comemorações, Hillary Clinton pediu novo impulso para liberar os que ainda estão oprimidos. "Nossa história não terminou na noite em que o muro caiu", disse ela.
"Para expandir a liberdade de mais gente não podemos aceitar que a liberdade não pertença a todas as pessoas."

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