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 Em 20 anos, Leste Europeu converteu economia às leis do mercado
08 de novembro de 2009 08h46 atualizado às 09h09

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Em vinte anos, depois do afundamento do sistema comunista, a Europa Central passou pela experiência inédita de transformar economias planificadas em economias de mercado.

"Todos nós conseguimos, em uma época em que não havia garantia alguma de sucesso", comemora o ministro polonês das Finanças Jacek Rostowski, durante um recente fórum econômico regional em Krynica (sul).

A Polônia, a maior economia dos 10 novos integrantes da UE em 2004, foi a primeira a lançar uma reforma sistêmica em 1990. Ela é hoje o único país da UE a ter mantido o crescimento econômico ao longo da crise.

As mudanças alteraram totalmente a paisagem econômica dos antigos países comunistas, varrendo um grande número de joias da economia comunista, como os estaleiros poloneses, berços da luta contra o antigo regime e hoje a ponto de desaparecer.

Há alguns anos, empresas privatizadas parcialmente ou inteiramente ressurgiram. As montadoras automobilísticas romena Dacia (Renault) e tcheca Skoda (Volkswagen), as companhias de petróleo polonesa Orlen e húngara MOL, se tornaram atores em escala europeia, ao lado das recém-nascidas locais ou dos grupos internacionais que investiram no Leste.

"No início, dizia-se: ''se passar de uma economia de mercado para uma economia planificada é como preparar uma sopa de peixes a partir de um aquário, o inverso será infinitamente mais difícil+", afirmou Ivan Miklos, pai da reforma eslovaca.

O objetivo parecia comum: a economia de mercado. Mas o ponto de partida, os métodos adotados e o ritmo das mudanças variaram.

A Hungria, a Tchecoslováquia ou a Alemanha Oriental eram considerados países mais avançados do que a Polônia, onde alguns produtos eram racionados e onde a inflação disparava, situando-se perto de 750% em dezembro de 1989.

Os países bálticos, que conquistaram sua independência da URSS em 1991, eram obrigados a construir novamente suas próprias economias.

No início, "não sabíamos mesmo para quais países partia nossa produção", lembrou Kazimiera Prunskiene, primeira chefe de governo da Lituânia independente.

A Polônia realizou o seu Big Bang a partir de 1º de janeiro de 1990.

"Era preciso extinguir rapidamente o fogo (da hiperinflação), liberalizar e lançar mudanças institucionais profundas: privatizações, criação de uma Bolsa de Valores, de um banco central independente...", explicou à AFP Leszek Balcerowicz, autor da "terapia de choque" polonesa.

A Hungria lançou sua reforma gradual apenas em 1992. A Bulgária iniciou oficialmente suas primeiras privatizações em 1997.

"A ex-RDA é uma exceção. Ela não precisou se fortalecer sozinha porque a rica irmã, a ex-RFA, a protegeu", explica Karl Brenke, especialista em Reunificação do instituto de pesquisas econômicas DIW.

As restruturações maciças, que beneficiavam a antiga nomenklatura, foram acompanhadas de abusos e fizeram surgir o desemprego, um fenômeno novo no bloco do Leste, onde trabalhar era uma obrigação.

O desemprego na antiga Alemanha Oriental continua sendo duas vezes mais elevado que no Oeste. A renda de um cidadão da ex-RDA é em média hoje 40% composta de auxílios sociais.

O fechamento de minas romenas custou o emprego de 90.000 mineiros. Um novo projeto prevê a supressão de 48.000 postos de trabalho a mais até 2012.

Segundo Witold Orlowski, especialista da PricewaterhouseCoopers, "nenhum governo ocidental teria sobrevivido nem 6 meses com um programa de sacrifícios como esse".

AFP
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