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 Colégio libanês veta livro que cita "O Diário de Anne Frank"
07 de novembro de 2009 08h40 atualizado em 09 de novembro de 2009 às 14h35

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Uma escola libanesa, sob pressão da milícia xiita do Hisbolá, proibiu um livro que menciona O Diário de Anne Frank, por considerar que esta última obra "promove o sionismo", informou neste sábado a imprensa local.

Segundo o jornal L'Orient-Le Jour, o centro educativo é a Escola Secundária Adventista e o livro proibido se chama "Leitura Interativa para o Ensino do Inglês".

Antes da proibição, a rede de TV do Hisbolá, a Al-Manar, condenou a citação ao diário de Anne Frank por ele focar a perseguição aos judeus.

"O mais perigoso é o modo dramático e teatral com o qual o diário relata os fatos e como ele é carregado de emoções", disse a "Al-Manar", que perguntou até quando o Líbano "continuará sendo um campo aberto para a invasão sionista na educação".

Um deputado do Hisbolá, Hussein Hajj Hassan, declarou à emissora que o colégio em questão "não tem discernimento quanto à seleção de seu material".

"Esses estabelecimentos respeitáveis ensinam a suposta tragédia de uma menina, mas se envergonham de fazê-lo com a do povo libanês, a do povo palestino ou a das pessoas do sul (do Líbano), provocadas pela ocupação sionista", acrescentou o legislador.

"O Diário de Anne Frank", publicado após a morte da alemã de origem judaica, foi escrito entre 1942 e 1944, período em que a menina e a família viveram escondidas em um porão em Amsterdã (Holanda).

Procurada pelo "L''Orient-Le Jour", a ministra de Educação libanesa, Bahia Hariri, respondeu que gostaria de ter acesso ao livro proibido antes de fazer um comentário e esclareceu que a censura não cabe a seu departamento, mas ao de Segurança Nacional.

Em um editorial, o jornal considerou absurda a acusação de que "O Diário de Anne Frank" faz "apologia ao sionismo".

"É fútil, vão e desesperado dizer que essa obra constitui uma ofensa coletiva aos libaneses. Trata-se de um documento histórico universal que mostra o que o homem é capaz de fazer baseando-se na cor da pele, na religião ou no país de origem", destaca o texto.

A proibição, acrescenta o jornal, mostra a "degradante" e "irremediável regressão do país, seu retrocesso inexorável a um precipício medieval, seu retorno à idade da pedra sociocultural e moral".

No mês passado, o Hisbolá também proibiu outra escola anglófona de usar um livro que se referia à milícia e ao movimento palestino Hamas como grupos terroristas.

EFE
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